Albari RosaFéNa Prisão do Ahú, são realizados por semana sete cultos evangélicos - com presença de quase 100% - e apenas dois católicosA fé evangélica vem ganhando espaço entre os presos paranaenses. Até a metade dos anos 80, a religião católica era professada por 95% dos presos. Hoje este número caiu para 80%. Com isso, pastores, guias e anciãos são vistos com mais frequência nas cadeias, realizando cultos ou dando palestras aos presos. Além da ajuda espiritual, os pastores cativam os presos graças ao apoio à família e ao auxílio em processos.
Apenas na Prisão Provisória de Curitiba, onde estão 800 presos, são realizados semanalmente sete cultos evangélicos e apenas dois católicos. Há uma década, este número era inverso.
‘‘Há algum tempo, os evangélicos começaram a solicitar espaço para a realização de seus cultos nas prisões’’, informa o diretor do Departamento Penitenciário, Cezinando Paredes. Paredes conta que a religão católica vem perdendo espaço junto aos presos paranaenses. Na metade da década passada, de cada 100 presos 95 eram católicos praticantes, ficando o restantes entre os evangélicos e outras religiões, como o candomblé ou umbanda.
Atualmente, dos 6.250 presos, nas nove unidades penais do Paraná, 80% se dizem católicos, 19% evangélicos e o restante entre outras religiões. Entre os católicos, apenas 25% frequentam os cultos. No caso dos evangélicos, a presença nos cultos é de quase 100%. ‘‘Os pastores conseguem ser mais atraentes e convincentes, arrebanhando com maior facilidade os novos fiéis’’, avalia Paredes.
Paredes conta que os evangélicos são divididos entre batistas, adventistas e evangélicos. Há dois anos, a igreja que mais cresce entre os detentos é a Assembléia de Deus. Na Prisão Provisória de Curitiba, essa igreja realiza dois cultos semanais: na terça-feira e no fim da tarde de sábado. Segundo os agentes penitenciários, esses cultos são os mais procurados.
Auxílio - O crescimento dos evangélicos entre os presos pode ser atribuído à ajuda que as igrejas estendem às suas famílias. O ancião Vanderli Canuto Vaz, da Congregação Cristã do Brasil - entidade evangélica que congrega 400 seguidores no Paraná -, explica que o auxílio não se limita apenas a ajuda espiritual.
‘‘A fé espiritual precisa ser dada como um todo, fazendo com que o preso e seus familiares sintam-se seguros’’, diz. Sua igreja fornece roupa, cesta básica e, em muitos casos, consegue emprego para os parentes dos presos. ‘‘Mas isto é dado apenas nas situações extremas, quando os parentes são muito pobres e carecem de ajuda’’, complementa.
Esse tipo de auxílio também é dado pela Comissão Pastoral Carcerária. O frade José Orlando de Carvalho de Sá, que trabalha com os presos do Ahú, conta que a Igreja disponibiliza aos detentos ajuda advocatícia, social e econômica. ‘‘Existem voluntários, muitos deles estudantes, que tentam resolver os entraves processuais de cada preso’’, conta.
Mas a diferença entre as duas religiões é avaliada pelo preso Neraldino Gomes Ferreira. ‘‘Quando você recebe ajuda de um padre parece que fica com uma dívida junto a eles. Mas com os pastores, é como uma conversa de irmãos ou de um chapa’’, conta. ‘‘Além disso, têm alguns pastores que conseguem algum dinheiro ou favores para a gente’’, diz. No entanto, o ancião Vanderli Canuto Vaz nega estas atitudes em sua igreja. ‘‘Sei que tem algumas que fazem de tudo para conseguir fiéis, mas nós evitamos isso’’, defende-se. ‘‘Pregamos que eles paguem na cadeia os pecados que cometeram, para saírem limpos da prisão’’, diz.

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