Curitiba - Os cerca de 450 presos que estão na recém-inaugurada Casa de Custódia de Curitiba, na Cidade Industrial, receberam ontem uma doação de testamentos evangélicos. Os livros foram cedidos pela Associação dos Homens de Negócios do Evangelho Pleno (Adhonep), que levou menos de duas semanas para atender o pedido. Segundo a direção do presídio, a solicitação partiu dos próprios detentos. O diretor da Casa de Custódia, coronel Justino Sampaio, disse que a doação não é uma tentativa de impor determinada religião, mas faz parte do processo de humanização dos presos.
Sampaio ressalta que o objetivo é dar assistência, independente da inclinação religiosa dos detentos. ''Alguns pediram a Bíblia, mas se tiverem outra religião não impedimos de seguir'', explicou. A Casa de Custódia foi inaugurada no último dia 7 de agosto para abrigar os presos provisórios e desafogar os distritos da capital. A rotina do local é bem diferente daquela a que os presos estavam acostumados nos distritos. Na Casa não há superlotação e quatro presos dividem cada uma das 108 celas.
Eles recebem uniformes limpos, têm direito a banho uma vez por dia, banho de sol, comida, visitas de um assistente social, psicólogo ou advogado sempre que solicitarem e visitas dos familiares uma vez por semana. Em contrapartida, enfrentam um esquema rígido de segurança. Não têm direito à visita íntima, por exemplo, e também não podem fumar em nenhuma dependência do presídio.
Para o detento Abrãao Alves Poli, 35 anos, as regras acabam ajudando. ''Aqui eu parei de fumar e isso está me fazendo bem, também tenho tempo para ler e o evangelho vai me ajudar a encontrar o meu caminho'', disse. Ele está detido provisoriamente há quatro meses e desde que a Casa de Custódia inaugurou está no local. A previsão é de que saia ainda essa semana. O detento, no entanto, não vai poder levar o evangelho doado. De acordo com a direção, os exemplares devem ficar no local para os outros detentos que chegam.
Segundo o secretário municipal da Defesa Social e diretor regional da Adhonep no Paraná, coronel Sanderson Diotalevi, que é evangélico, não há uma estatística de quantos presos evangélicos existem nas cadeias do Estado. ''Mas não importa se seja um, dez ou 20 por cento, o que importa é a mensagem que eles recebem'', opinou.

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