Rubens Burigo Neto
Especial para a Folha
Chegaram ontem a Curitiba mais cinco crianças ucranianas que vão fazer tratamento médico especializado de leucemia no Hospital Evangélico. São quatro meninos e uma menina afetados pela radiação proveniente do acidente na usina nuclear de Chernobyl (leia abaixo). Atualmente, na Ucrânia, vivem mais de 1,5 milhão de crianças contaminadas pela radiação. As que vieram para Curitiba ontem estão com a doença em estado de regressão e devem permanecer na cidade até dezembro.
Este é o terceiro grupo de crianças que vêem ao País, conforme o acordo firmado entre a Sociedade Evangélica Beneficente, que é a mantenedora do hospital e a Representação Central Ucraniana-Brasileira. Elas vão ficar hospedados em casas de famílias de descendentes ucranianos durante o período do tratamento. Ontem todas elas estiveram no Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, para recepcionar os filhos ‘‘adotivos.’’
As crianças viajaram acompanhados de José Welgacz Junior, diretor da Representação, e pela médica hematologista Irina Korenkova. ‘‘Estamos trazendo crianças que tenham pais vivos na Ucrânia porque, assim, é mais fácil a separação deles das famílias curitibanas’’, justificou Welgacz.
A médica ucraniana vê com cautela a proposta do empresário Francisco Cunha Pereira Filho, para que, no futuro, o Paraná passe a explorar as reservas de urânio como fonte de energia. Cunha Pereira sugeriu que técnicos e cientistas devem começar a aprender o quanto antes o domínio da tecnologia nuclear. Irina Korenkova disse que as novas tecnologias empregadas na utilização da energia nuclear ainda não são eficientes para evitar acidentes.
O funcionário dos Correios, Markiano Snak e a mulher Joana não escondiam o nervosismo e a emoção antes de conhecer Oleg Tsybulkiy, de 9 anos de idade. Snak contou que os três filhos mais velhos do casal estavam ‘‘muito curiosos’’ para conhecer o ‘‘novo irmão’’. Joana disse que a ‘‘solidariedade’’ levou a família a receber uma das crianças. ‘‘Não custa nada para a gente dar um pouco do nosso tempo e da nossa vida para ajudá-los.
O Hospital Evangélico é o único no Brasil com médicos especializados na cura de leucemia provocada por exposição à radiação atômica. Hoje as crianças fazem os primeiros exames laboratoriais antes de começar o tratamento.

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