Evangélico irá implantar 1º banco de pele do Paraná
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terça-feira, 07 de outubro de 2008
Thiago Alonso<br>Equipe da Folha 
Para melhorar o atendimento à população, o Hospital Universitário Evangélico de Curitiba pretende implantar, até o final deste ano, o primeiro Banco de Pele do Paraná -o terceiro do Brasil. Hoje, apenas os estados de São Paulo e Rio Grande do Sul têm bancos de pele. A intenção é receber doações de pele humana e prepará-la em laboratório para ser usada em transplantes.
O investimento para a implantação do Banco de Pele é relativamente pequeno -assegura o cirurgião plástico do Setor de Queimados do Hospital Evangélico José Luiz Takaki. Segundo ele, são cerca de R$ 500 mil. Mesmo assim, com o Banco de Pele do Paraná, serão apenas três em todo o Brasil. Na opinião de Takaki, a criação de um número maior de bancos acaba se inviabilizando por causa do alto custo do tratamento dos queimados.
O Evangélico já está se adaptando para que o novo setor possa iniciar o atendimento com a maior brevidade possível. Trabalhando com doação, o objetivo é realizar a chamada preparação das matrizes -a retirada do núcleo das células da derme para evitar a rejeição do organismo após o implante. A intenção é fazer com que o processo funcione como bancos de doação de sangue ou de órgãos. "Com a implantação do Banco de Pele, o grande ganho é salvar a vida das pessoas", diz Takaki.
Com o novo setor, a inteção é diminuir o sofrimento de gente como o foguista Paulo César Pinheiro, de 32 anos. Ele está em tratamento desde 24 de julho, quando queimou 25% do corpo com cal hidratada. No meio do trabalho, Ribeiro se descuidou e a cal atingiu suas pernas, que tiveram queimaduras de terceiro grau, e sua barriga, com queimaduras de segundo grau. "A dor é diferente da de um corte. É uma dor ardida", diz ele. "Quando retirei minha calça, a pele estava colada nela", relembra Pinheiro. Mesmo com a dor e os enxertos realizados, ele conta que não se deixou abater. "Não deixei a peteca cair", diz ele, animado com a possibilidade de receber alta amanhã.
Outro que recebe tratamento no Evangélico é Pedro Henrique Figueira, de 22 anos. Há pouco mais de 15 dias, ele teve parte do corpo incendiado com álcool. Com as roupas em chamas, queimou pernas, peitos, braços e parte do rosto. Os colegas de trabalho apagaram as chamas com extintor de incêndio. "A dor foi horrível. A queimação foi por todo o corpo", recorda.


