Evangélico fez ontem o último plantão pelo SUS
Telma Elorza
De Londrina
O último plantão do pronto-socorro (PS) do Hospital Evangélico de Londrina pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ontem, foi o mais tranquilo dos últimos tempos. Das 7 às 12 horas, apenas cinco pessoas foram atendidas pelo SUS no PS localizado na Avenida Bandeirantes, no Jardim Londrilar, centro da cidade. A partir de domingo, quando seria novamente plantão do hospital, pacientes de urgência e emergência que não tiverem planos de saúde deverão ser encaminhados para outros hospitais da cidade.
Ontem, o movimento no PS era calmo, sem fila de espera para atendimento. Segundo uma funcionária do hospital, que preferiu não se identificar, muitas pessoas telefonaram para saber como ficaria o atendimento depois do fechamento do PS. Eram, principalmente, pessoas que fazem tratamento pelo SUS no hospital e no Alto da Colina (Ambulatório do hospital) que queriam saber como ficaria a situação delas. A orientação que passamos é que continuaria normal, explicou.
Duas pessoas, porém, ficaram extremamente surpresas com os cartazes colocados no plantão, avisando sobre o descredenciamento do SUS: o casal Ilma e Jair Siqueira, de Faxinal (76 km ao sul de Apucarana). O casal veio visitar um parente acidentado quando recebeu a notícia. Isto é um absurdo. Para quem tem plano de saúde, não vai ter tanto problema. Mas e quem não tem, que é a maioria do povo brasileiro. Este meu parente não tem plano de saúde. Se o acidente fosse domingo, o que seria dele?, questionou a mulher.
Ilma Siqueira, que trabalhou por sete anos na direção de hospital público de Faxinal, diz que conhece de perto a situação dos hospitais brasileiros. Que dá prejuízo a gente sabe, mas já pensou se todos fizessem isto? Sei, por experiência própria, que quando a pessoa procura um pronto-socorro é porque realmente precisa, afirmou.
Segundo a assessoria de imprensa do hospital, a lei municipal que obriga os hospitais credenciados pelo SUS a manter atendimento permanente de urgência e emergência, sancionada na quinta-feira pelo prefeito Antonio Belinati (PFL), não muda em nada a decisão da direção do hospital. De acordo com a assessoria, a diretoria não têm conhecimento desta lei e só vai se manifestar a partir do momento em que for aplicada.
Segundo a assesoria, a direção do Evangélico não reconhece o poder do município sobre a questão, afirmando que quem legisla sobre o SUS é a União. O PS do Evangélico vai continuar atendendo a convênios e particulares.





