Evangélico confirma fechamento de PS
Lúcio Horta
De Londrina
O Hospital Evangélico de Londrina não vai mesmo voltar atrás na decisão de interromper o atendimento no pronto-socorro do Sistema Único de Saúde. Com isso, o serviço deixará de ser prestado a partir do próximo dia 26. A decisão foi comunicada no início da semana pela direção do hospital ao secretário de Saúde do município, Agajan Der Bedrossian. Segundo o secretário, o Evangélico informou que não tem mais interesse em manter o serviço por causa da defasagem que existe entre os custos com o pronto-socorro e a tabela paga pelo SUS.
Numa reunião extraordinária do Conselho Comunitário de Saúde, realizada no final de novembro, foi proposto ao Evangélico adiar a interrupção do atendimento no pronto-socorro por pelo menos três meses. Neste período, seriam realizadas campanhas junto à população para que ela passasse a buscar atendimento, nos casos menos graves, nos postos de saúde. Mas essa opção não foi aceita pelo hospital.
A gente lamenta a decisão. Em termos jurídicos, no entanto, não existe absolutamente nada que a gente possa acionar, considerou o secretário. E é claro que vai complicar o atendimento. É mais uma porta que se fecha para o SUS. E não é só Londrina, recebemos pacientes de outras cidades do Estado, disse. Agajan informou ainda que não há maneira de amenizar o prejuízo causado pela direção do Evangélico. Teríamos mesmo que ter mais leitos hospitalares oferecidos pelo SUS, completou.
O secretário afirmou que, a partir de agora, a secretaria pretende intensificar as campanhas para que a população utilize com mais frequência o serviço dos postos de saúde, antes de procurar os hospitais terciários. Ele completa que hoje são realizados pelos postos cerca de 300 mil atendimentos por mês, o que significaria considerando um atendimento sendo igual a uma pessoa quase dois terços da população londrinense.
O secretário lembrou também que a única coisa que poderia reverter a decisão do Evangélico é a sanção de uma lei já aprovada na Câmara que obriga que toda instituição credenciada no SUS a manter aberto o serviço de pronto-socorro. Possivelmente será sancionada, acredita. E neste caso teríamos, pelo menos, uma determinação legal de que tipo de providência poderíamos tomar. Hoje não temos o que fazer.
Agajan alerta também que, caso a lei seja sancionada, o Evangélico correria o risco de ser descredenciado do SUS. Neste caso, poderá perder a condição de entidade filantrópica e, consequentemente, deixar de receber o benefício da isenção de alguns impostos federais.
O Conselho de Saúde da Região Sul (Consul) tomou conhecimento da decisão do hospital pela Folha. É lamentável, atestou Nelson Cardoso, presidente da entidade. Para ele, se o Evangélico tivesse paciência, poderia ser beneficiado por um projeto de emenda constitucional que está no Senado (já foi aprovado pela Câmara Federal) que vincula o recurso de alguns impostos à área da saúde. Com isso, a remuneração da tabela do SUS poderá ser melhorada.
Além disso, Cardoso lembra que o Estado poderá adotar a gestão plena de saúde, criando um fundo estadual de saúde para gerenciar os investimentos da área.
A assessoria de imprensa do Evangélico comunicou ontem que, para a direção do hospital, todas as explicações sobre o fechamento do pronto-socorro já foram dadas. Portanto, prefere não mais se manifestar.





