Euforia diminui e número de infrações continua alto
Euforia diminui e número
de infrações continua alto
Queda de 30% em
casos violentos
não corresponde
à expectativa
Depois da euforia da entrada em vigência do Código de Trânsito Brasileiro, há quatro meses, o caos começa a voltar ao trânsito de Curitiba. Sem o respeito dos motoristas, já não é difícil encontrar veículos estacionados nas calçadas, motoristas furando o sinal, parando em fila dupla, e pedestres atravessando a rua longe da faixa de segurança.
Para o diretor de Trânsito de Curitiba, Kasuo Sakamoto, a redução de acidentes não é tão expressiva. Ele conta que a queda na violência está em torno de 30%, um índice semelhante à média nacional. O problema é que a expectativa inicial era de que as ocorrências sofressem redução de 50% nos três primeiros meses, se estabilizando em 35% mais tarde. Com toda a mobilização da sociedade, divulgação na mídia e investimentos governamentais, esperava-se um resultado ainda mais positivo, diz.
O comandante do Plantão de Acidentes de Trânsito do BPTran, primeiro-tenente Adenilson Lima da Silva, não tem a mesma opinião. Para ele, é possível fazer avaliação positiva do novo código em razão da redução do número de acidentes.
De janeiro a abril do ano passado, o BPTran atendeu 2.672 acidentes. No mesmo período deste ano, foram contabilizadas 2.122 ocorrências. O número de feridos e mortos também diminuiu de um ano para outro. Nos primeiros quatro meses de 1997, o trânsito curitibano feriu 2.470 pessoas, 641 a mais do que no mesmo período deste ano. O número de mortos foi de 35, em 1997, e 22 neste ano.
O problema, segundo Silva, é que os motoristas estão mais relaxados porque, no início, achavam que as respostas às infrações cometidas seriam mais rigorosas e rápidas. Até agora, mesmo com a possibilidade de pagarem multas altas, continuam cometendo os mesmos erros de antes. É o caso do avanço de semáforo e o estacionamento na calçada, as infrações campeãs na cidade.
De 22 de janeiro a abril deste ano, o BPTran emitiu 48.048 autos de infração. Deste total, 6.575 foram por avanço de sinal e 4.828 por estacionamento em local destinado aos pedestres.
Assim como o BPTran, a Diretran também emitiu grande número de multas. Da data de vigência do código até abril, foram 14 mil autos de infração. Esta semana, a Diretran estará enviando multas a 1,5 mil motoristas. São os que foram notificados e não apresentaram defesa dentro do prazo legal.
O assessor jurídico do Conselho de Trânsito do Paraná (Cetran), Marcelo Araújo, diz que a vigência do código terá três etapas distintas. A primeira foi de redução de acidentes; a segunda, de despreocupação dos motoristas. Mas, por último, virá a de revolta por causa dos altos valores das multas. (A.R.)





