EUA estudam transporte de Curitiba
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terça-feira, 12 de dezembro de 2000
Maigue Gueths De Curitiba 
Fazer com que os americanos deixem seus carros em casa e passem a andar de ônibus é o grande desafio para os técnicos na área de trânsito nos Estados Unidos. Apenas 20% da população utilizam-se de transporte coletivo, realidade contrária à de Curitiba, onde 75% das pessoas utilizam ônibus e 25% andam de carro. Nosso esforço é no sentido de deixar o sistema mais atraente, simplicando o máximo seu uso, diz Lynn Sahaj, chefe adjunta do Bus Rapid Transit (BRT), um programa do governo americano que busca idéias bem sucedidas de trânsito para implantá-las em suas cidades.
Algumas soluções já implementadas para incentivar os americanos a trocarem oscarros pelo transporte coletivo são a integração dos meios de transporte, uso de pistas exclusivas para ônibus, construção de estacionamentos vizinhos aos terminais de ônibus e até mesmo a adoção dos cartões de crédito para pagamento das passagens. Estamos fazendo de tudo para facilitar o uso dos ônibus, diz Bert Arrillaga, chefe da seção de Inovação da Federal Transport Administration (FTA), órgão federal encarregado da administração dos transportes.
Outra preocupação é reduzir os custos dos investimentos na área. Nesse sentido, pelo menos 17 cidades, entre elas Atlanta, Boston, Miami, Los Angeles, Filadélfia e Honolulu, já optaram por adaptar a experiência de transporte de Curitiba. Entre os benefícios, eles apontam o sistema integrado, que permite o pagamento de apenas uma passagem com vários transbordos, além das facilidades de embarque, como as plataformas do ligeirinho e expresso.
Para conhecer o sistema curitibano e estudar a adptação, representantes do governo, prefeitos e técnicos destas cidades participam até amanhã de um seminário, promovido pela FTA em Curitiba. Nosso sistema tem duas grandes vantagens que são o baixo custo e a rapidez na implementação do sistema, afirmou o prefeito Cassio Taniguchi na abertura do seminário. Segundo Lynn, o metrô é bastante usado em grandes cidades, mas não é viável em municípios de porte médio, em função do alto custo e transtornos causados durante a sua construção.
O custo de implantação do sistema de transporte usado em Curitiba é de aproximadamente R$ 1,5 milhão por quilômetro, enquanto o do metrô pode chegar a R$ 200 milhões por quilômetro dependendo da profundidade em que é instalado. Questionado sobre o projeto de construção de um metrô de superfície em Curitiba, apesar dos altos custos, o presidente do Instituto de Planejamento e Pesquisas de Curitiba (Ippuc) Luiz Hayakawa argumentou que, neste caso, o metrô sairia cerca de R$ 2 milhões o quilômetro, uma vez que não no subsolo e o itinerário proposto não oferece grandes obstáculos.


