EUA apoiaram militares e seu sistema de repressão
Além de uma das mais sangrentas, o Paraguai protagonizou a primeira e mais longa ditadura militar da América do Sul na segunda metade deste século. Com um golpe em 1954, o general Alfredo Stroessner instalou o regime militar no país. Só foi derrubado em 1989, após 35 anos de poder. Hoje, vive exilado em Brasília.
O número de vítimas desse período é desconhecido. Mas um relatório da Anistia Internacional aponta que, apenas entre 74 e 76, passaram pelas cadeias paraguaias cerca de 15 mil presos políticos, que acabaram mortos ou estão desaparecidos.
Em 64, os militares tomaram o poder no Brasil. O número oficial de mortos ou desaparecidos do regime, que durou até 1985, é de 150 pessoas. A Argentina viveu dois períodos ditatorias entre 66 e 73 e de 76 a 83. Só nesse último período, o número de mortos chegou a 30 mil.
Em número oficial de vítimas, a ditadura chilena ocupa o segundo lugar. Sob o comando do general Augusto Pinochet, que governou o país de 73 a 89, os militares eliminaram 13 mil opositores. Na Bolívia, os militares governaram entre 64 e 80. No Uruguai, esse período durou de 73 a 84 e deixou um saldo de 163 desaparecidos.
Com tantos governos ditatorias simultâneos, os militares desses seis países decidiram, em 1975, criar um acordo de cooperação e troca de presos políticos. Esse sistema, que incluía até o intercâmbio de métodos e instrumentos de tortura, recebeu o nome de Operação Condor.
Por meio da CIA (seu serviço de informações), os Estados Unidos apoiaram o surgimento da operação. Era uma forma de manter o domínio sobre os países do Cone Sul, num momento em que a Guerra Fria com a União Soviética atingia seu auge. As duas potências disputavam a hegemonia política e econômica internacional.
A rediscussão da Operação Condor ocorre agora porque o juiz argentino Cláudio Bonadio solicitou ao governo brasileiro informações sobre a atuação do Brasil no sistema, ainda não oficialmente admitida. Bonadio investiga o desaparecimento de três argentinos no aeroporto do Rio de Janeiro, em 1980. O presidente Fernando Henrique Cardoso já prometeu abrir os arquivos militares daquela época. (V.D.)





