EU TENHO A FORÇA! Libido, nossa central de energia
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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Libido, libidinoso, libidinal. Ao ouvir essas palavras é inevitável, logo fazemos uma associação com sexo, transa. Para muita gente, libido é sinônimo de desejo sexual.
Basta uma volta pelas ruas de Londrina, perguntando às pessoas qual é o significado que elas atribuem a essa palavrinha de seis letras para confirmar o que foi dito no parágrafo acima. Ao ouvir a pergunta ''o que significa libido para você?'', não há quem não esboce um tímido sorriso ou fique vermelho de vergonha, como foi o caso da atendente de call-center Carolina Pinati, 19 anos. ''Eu vou ficar envergonhada'', respondeu de primeira. Em seguida, atendendo à insistência do repórter, emendou: ''libido me lembra desejo sexual.''
Porém, de acordo com psicanalistas, a libido está presente em nossas vidas o tempo todo. ''Tudo o que fazemos é movido a libido. É o nosso combustível'', sintetiza Sônia Maria Petrocini, professora do departamento de psicologia e psicanálise da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Há muito tempo, no século quatro, Santo Agostinho (354-430) já dizia que os humanos eram regidos por três tipos de desejos: a libido sciendi, o desejo de conhecimento; a libido sentiendi, que é o desejo sensual; e a libido dominendi, o desejo de dominar. Em outras palavras, a libido dá às nossas idéias o poder de se tornarem realidade. Ela implica na concretização do desejo.
De acordo com Sônia, a libido está em todas as pessoas, porém é impossível quantificá-la, dizer que alguém tem mais ou menos libido. Mas como explicar o fato de haver dias em que acordamos animados, com o pique todo, e dias em que mal dá vontade de levantar da cama?
''É simples. Vamos dizer sobre aquelas ocasiões em que não queremos fazer nada, ficar quietinhos na cama. O que acontece é que há dias em que a libido se manifesta voltada para a interiorização. Não é que ela deixou de existir, ela simplesmente está voltada para atender os desejos internos, de reflexão, por exemplo. Mesmo que você não queira pensar, o pensamento está em você e a libido está ali'', explica a psicóloga.
Entendido que a libido é o tesão pela vida, falando o português claro, é preciso entender também onde o desejo sexual fica nesta história, já que libido e desejo sexual são vistos como sinônimos pela maioria.
Segundo Sônia, o sexo é o lado mais traumático da libido, pois envolve muitas coisas, como amor e intimidade. ''O ato sexual é dar-se. Aliás, sexo significa doação. Quem dá sempre perde alguma coisa. O sexo também é uma troca, um empréstimo. Podemos dizer que há o lado econômico da libido, a qual é uma excitação, é uma energia, mas que não é automática, é construída'', destaca a psicóloga. ''A questão da sexualidade remete a um questionamento sobre a libido. Como explicar essa força? É a mesma coisa que o questionamento que as pessoas fazem em relação à sua identificação como ser humano, da onde surge a famosa pergunta: Quem sou eu? Em uma analogia, podemos dizer: de onde vem essa energia?'', complementa.
Para finalizar, a professora faz questão de lembrar que todas as pessoas passam por um conflito libidinal, um paradoxo constante entre o amor a si próprio e o amor ao outro. ''Esse conflito é muito importante. É a luta entre os dois pólos de qualquer sujeito: o narcicismo, que é voltado para dentro, e o alter, voltado para o outro, ou seja, o amor e o trabalho. Para satisfazer os desejos, é preciso que haja uma tendência para o pólo alter, fazendo com que o outro se apresente como algo atraente o bastante para possibilitar a satisfação. Caso contrário, o desejo se apresenta como ordem do impossível. Dessa forma, resta ao sujeito a utilização voraz do corpo do outro para afirmar, de maneira predatória, seu auto-centramento'', finaliza.


