Eu sinto que ela está viva
Fabíola Gonçalves Pontes, de 14 anos, desapareceu na tarde do dia 5 de dezembro de 1998. Ela estava cuidando das vacas em um terreno às margens da linha férrea, na rodovia BR-369, em Rolândia (Região Metropolitana de Londrina). O local fica a poucos metros da casa dela. O pai da menina, Manoel Gonçalves Pontes, acredita que ela possa ter sido ludibriada por alguém que a levou embora. A família descreve Fabíola como uma adolescente alegre, ingênua e que gostava de conversar com as pessoas. "Era conversadeira, mas era uma menina tranquila", disse a madrasta Meirian Bezerra Pontes.
A formatura no ensino fundamental seria por aqueles dias e ela estava empolgada com o vestido que ia ganhar de uma tia. "Ela dizia: 'não vejo a hora de ver o vestido'", recordou a madrasta.
As investigações da polícia não levaram a nenhuma pista do paradeiro da adolescente. Ela não tinha dinheiro e sumiu só com a roupa do corpo. "Se fosse fugir com algum namoradinho ia levar uma roupa, mas não faltou nada", comentou Pontes. "Naquele dia ela estava muito alegre, conversou um monte com o Neném (irmão que hoje tem 18 anos)", contou a madrasta.
Após o desaparecimento, houve muitos boatos sobre o seu paradeiro. Entre eles, que Fabíola teria pego um ônibus para Londrina acompanhada de um homem. O pai não acredita nisso. Ele também ouviu que ela estaria morando em Ibiporã. Esteve na cidade, mas não descobriu nada.
Pontes percorreu até abrigos de crianças em São Paulo. "Não é fácil, não." Os dias seguintes ao desaparecimento foram de muita tristeza e angustia para a família. "Não tinha paciência para nada. Nada estava bom", recordou.
A dúvida é o que corrói a família. "Quando morre, a gente sabe onde está. A gente fica triste, mas se conforma porque está morto. Sabe que está lá no cemitério", comentou a madrasta.
Quando Pontes começou trabalhar entregando ração em sítios, pensava que poderia encontrar a filha em alguém desses lugares. Hoje em dia as pistas não surgem mais. "Mas se alguém falar que está em tal lugar, eu vou. Se ela estiver no fim do mundo eu vou. Só não vou de avião, porque tenho medo, mas vou de ônibus, de carro, de bicicleta, do que der eu vou", disse o pai.
A família ainda tem esperança de um dia Fabíola reapareça. "A gente não perde a esperança. Eu sinto que ela está viva. E se tiver viva, um dia aparece. Tem gente que fica 50 anos sumida e aparece, né?", afirmou Pontes.
Depois do desaparecimento da menina, ele redobrou o cuidado com os filhos menores. E qualquer atraso é motivo de aflição. A família permanece morando no mesmo local à espera do dia que Fabíola vai voltar para casa. (A.M.P.)





