''Eu sentia que meu braço não estava no lugar''
O acidente de dez anos atrás aconteceu por volta das 22 horas de uma noite chuvosa, nas imediações de Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina). O motorista do ônibus onde Alcilene estava perdeu o controle do veículo, que tombou. ''O médico me disse que, aparentemente, meu braço foi decepado por uma janela'', lembra a professora. ''Eu sentia que ele (o braço) não estava lá, eu não sentia a mão, mas me negava a olhar naquela direção. Minha mãe tentava me avisar, eu chorava e pedia para ela não falar nada''.
No Evangélico, Alcilene passou por uma cirurgia de emergência de 13 horas. O braço arrancado demorou para ser localizado e só foi levado ao hospital quatro horas depois de a professora dar entrada no pronto-socorro. ''Fiquei lúcida o tempo todo. Eu sangrava tanto que uma enfermeira não acreditava que eu não tivesse desmaiado. Ela me dizia, 'Menina, você pode parir umas dez vezes que não te acontece nada''', diz Alcilene.
Após a internação de quinze dias, ela passou quatro meses engessada; seis meses depois, iniciou as sessões de fisioterapia. O tratamento todo foi custeado pela empresa proprietária do ônibus, que também pagou uma indenização. Cirurgias de reimplante, quando bem realizadas, costumam dar bons resultados, mas o de Alcilene é de chamar atenção a sensibilidade na área afetada e os movimentos estão muito perto do normal.





