O segundo depoimento é de uma mulher de 50 anos, com três filhos. Apenas os dois menores moram com ela. Sofreu quase oito anos de agressões.
''Conheço meu ex-marido desde os 17 anos. Morávamos em São Paulo e ficamos um tempo sem nos encontrar. Começamos a namorar, eu já tinha um filho de outro casamento. Ele queria muito ser pai, acabei engravidando. Com o bebê pequeno, ele quis morar em um sítio, eu não aceitei ir por causa da criança. Nos víamos nos finais de semana. Ele ficou uns dois anos lá. Depois ele foi estudar no exterior, ficou uns três anos fora'', relata.
A mulher conta que parou de trabalhar para cuidar do filho. ''Viemos para Londrina e logo que cheguei, tivemos mais um filho. Acabei ficando novamente impossibilitada de trabalhar por causa do bebê pequeno, não conhecia ninguém'', relata, contando que a situação foi piorando. ''Ele me agrediu fisicamente várias vezes. Ele é autônomo, tem uma empresa com um sócio, mas eu pensava em como ia me separar, não sabia quanto ele ganhava, ele não me deixava saber.''
Um dia ela foi à Delegacia da Mulher, ficou sabendo do Centro de Atendimento à Mulher, onde começou a fazer terapia. ''Me disseram que o que ele fazia era tortura psicológica. A gente vê na TV mas acha que nunca vai acontecer com você. Cheguei a acreditar que tinha alguma coisa errada comigo'', revela. ''Pedi uma medida protetiva. O dia que ele saiu de casa foi o dia mais feliz da minha vida. Isso já tem um ano e meio.''
Os termos da separação ainda estão sendo discutidos. ''Se eu não tivesse filhos, estaria bem longe daqui. Me arrependo de não ter tomado a decisão antes, mas eu queria uma família. Eu passei por várias fases até cair na real de que não tinha jeito.'' (E.G.)

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