''No Lar eu tinha uma família''. Essa é uma das recordações do jovem auxiliar de dentista Afonso Vieira, de 20 anos, ex-morador do Lar Anália Franco. Vieira viveu na instituição durante 11 anos, onde foi parar aos 8 anos, depois de fugir de casa. Ele morarava nas ruas de Londrina até que uma assistente social o encaminhou e o à instituição. ''Eles me acolheram bem. Me deram banho e roupas novas para vestir'', conta.
A rotina desses anos ainda estão frescas na memória do rapaz. ''As crianças acordavam e iam para creche ou para o colégio, depois almoçavam e, só por volta das 18 horas, a gente ia para as casas-lares, onde um casal cuidava da criançada'', lembra. Vieira também não se esquece das inúmeras vezes que o presidente da instituição teve que chamar sua atenção porque estava fazendo bagunça. ''Eles sempre pegavam no pé da gente para estudar''.
O rapaz revela que faz visitas constantes à instituição porque sente saudades. Hoje ele vive com a mãe da mulher que cuidava dele na casa-lar e que se tornou sua madrinha. ''Eu só tenho lembranças boas. Se não tivesse passado pelo Lar, não teria terminado meus estudos e não teria uma profissão. Eu poderia estar nas ruas'', reflete.

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