Eu passei pelo MAPA
Em qualquer bate-papo em que a saúde entra na conversa é comum ouvir alguém se gabando: ''Minha pressão é 12 por 8''. ''Tudo bem, mas em que hora do dia?'', poderia replicar um outro mais entendido no assunto. O fato é que a nossa pressão arterial varia no decorrer das 24 horas do dia. Por isso, o Monitoramento Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) é um bom instrumento para auxiliar os médicos no diagnóstico da doença.
Trata-se de um aparelho digital, que é instalado no paciente sem impedir as suas atividades normais do cotidiano, e que afere, no período de 24 horas, em torno de 80 a 100 vezes a pressão arterial, registrando todas as alterações.
De acordo com o cardiologista Evander Botura, o exame é importante para checar um fenômeno interessante que acontece no corpo humano. Ele explica que de manhã, por volta das 6 horas, ocorre uma descarga de hormônios do tipo ''catecolaminas'' no organismo, os quais promovem a aceleração do batimento cardíaco e a elevação da pressão arterial. ''A isso damos o nome de 'fenômeno do alvorecer'. É nesse horário que ocorre a maior parte dos derrames, infartos e também sangramentos nasais'', relata.
Ainda segundo Botura, à noite o normal é que a pressão diminua entre 15% e 20%. ''Essa diminuição é mau sinal, pois esse sujeito, além de hipertenso, não tem o mecanismo normal de relaxamento noturno de seus vasos sanguíneos, dessa forma fica mais propenso a complicações, principalmente cardíacas e renais''.
Contudo, apesar da importância do MAPA, o cardiologista ressalta que a aferição da pressão arterial continua sendo o melhor instrumento para o diagnóstico. ''É um exame simples e barato, que todo médico, independentemente da especialidade em que atue, devia fazer em seus pacientes. O mapeamento não precisa ser feito em todos, só em casos específicos, como naqueles que sofrem da 'síndrome do jaleco branco', ou seja, que ficam com a pressão alterada somente quando o médico vai aferi-la''.
Este repórter teve a oportunidade de passar pelo MAPA. Incomoda um pouco ficar com uma ''caixinha'' na cintura e com um manguito no braço, o qual deve ser estendido a cada vez que o aparelho começa a inflar, mas nada que chegue a atrapalhar a rotina de um jornalista. Pude comprovar a variação da pressão no decorrer do dia. A minha ficou entre 16 por 10 e 11 por 5. Ao final do exame, o diagnóstico do médico: ''Está tudo certo com seu exame. A pressão aumentou de manhã e diminuiu à noite. Porém, você tem alguns picos durante o dia, provavelmente causados por estresse e tensão. Precisa relaxar mais.'' (W.S.)





