Eu não tinha a malícia da rua
Curitiba - Usuário do albergue da FAS há uma semana, Roberto (nome fictício), 27 anos, faz parte do novo perfil de moradores de rua. Ele deixou a casa de sua família, em Curitiba, após sete meses preso por receptação. A dependência química dificultou o relacionamento com os parentes e o levou às ruas da Vila Parolin, onde morou durante seis meses.
Antes da vida nas ruas, Roberto conta que cursava o terceiro período do curso de Direito em uma faculdade da Região Metropolitana de Curitiba e em seu trabalho como morotista conheceu quase toda a América Latina, realidade diferente da que encontrou fora de casa. "Eu andava pela Vila Parolin, Vila Hauer, pedia comida, dinheiro e às vezes roubava", lembra. A maior dificuldade, conta, era na hora de dormir, quando enfreitou noites de chuva e frio. "Eu não tinha a malícia do pessoal da rua."
O contato com a FAS só aconteceu depois que os educadores sociais esclareceram sobre o trabalho realizado. Até então, ele não sabia para onde iam os moradores de rua que aceitavam embarcar no veículo da fundação. Desde que foi ao albergue, iniciou um tratamento de desintoxicação e aguarda encaminhamento para uma entidade parceira. "Se não conseguir vaga, volto para as ruas e venho ao albergue. Aqui tenho onde deixar minhas roupas e tomar banho", afirma. (C.G.B.)





