Curitiba - Outra situação de diagnóstico de novos casos de Aids de meninas é pela contaminação vertical - transmitida da mãe para o filho durante a gestação. ''Só na gravidez da minha minha filha mais nova, que tem dez anos, é que tive o diagnóstico da doença, porque fiz todo o procedimento pré-natal pelo Mãe Curitibana, que pede o exame anti-HIV. Na época, foi como se eu tivesse recebido um atestado de óbito, pois havia muita desinformação sobre a Aids'', revela Maristela, 44 anos.
''Tomei a medicação para bloquear a transmisssão e o bebê não contraiu o vírus. Mas aí, caiu a minha ficha: meus outros dois filhos poderiam ter contraído'', lembra Maristela. ''Os dois fizeram o exame, mas apenas o menino deu positivo para a Aids.'' No entanto, a primogênita, Nelly (nome fictício), só voltou a fazer um teste-rápido, em 2007, quando deu positivo.
''Eu não queria acreditar que era verdade. Fiz a Nelly realizar sete exames e diante de todos os resultados positivos é que me conformei. Tinha esperança que ela estivesse livre da Aids'', diz Maristela, que esconde dos filhos menores a realidade sobre a doença na família. ''Minha mãe só me contou quando eu tinha 12 anos. Graças a Deus, não preciso tomar medicação antirretroviral. Me sinto bem. Só devo fazer exames de checagem a cada quatro meses'', conta Nelly, 17 anos, que é uma portadora sadia.
''Levo uma vida normal. Mas não conto para ninguém na escola que tenho Aids, porque sei que vão me olhar de outra forma e posso sofrer preconceito. Apenas minha melhor amiga sabe e ela me ajuda muito, pede para eu me informar mais sobre a doença e me cuidar'', disse a garota com voz serena. ''Também não conto para os meninos com quem fiquei. O beijo não é uma forma de transmissão mesmo. Só contei para um namorado porque ele vive com a mesma doença, nos conhecemos num encontro de jovens com Aids'', relatou Nelly, que se mostra despreocupada com possíveis complicações de saúde. ''Meu único medo é de um dia engravidar e passar a Aids para o meu filho, assim como aconteceu comigo'', confessa a garota.
A técnica Wilsa Regina Amaral, técnica da Vigilância Epidemiológica de DST/Aids do Paraná, ainda pontua que, se forem consideradas todas as idades, a taxa de incidência de novos casos na população feminina vem aumentando no Paraná em comparação com a masculina. (F.G.)

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