Usar câmeras de televisão escondidas - como acontece toda semana nos telejornais - para apresentar algum furo de reportagem pode aumentar os índices de audiência, mas, se valer a opinião da jornalista Adísia Sá, ombudsman do jornal O Povo, do Ceará, trata-se de uma atividade antiética. A jornalista apresentou sua opinião no seminário ‘‘O Papel do Jornal’’, debatendo o tema ‘‘Ética: Limites e Posturas. Até Onde Ir na Busca do Furo de Reportagem’’.
Para Adísia, o jornalista não pode e não deve usar de nenhuma artimanha para ter acesso a um fato. Isso inclui câmeras e gravadores escondidos, ou mesmo o ato de vasculhar o lixo de alguma personalidade, seja ela pública ou não. ‘‘O limite do nosso exercício profissional é ditado pela ética tanto no conhecimento quanto na divulgação das informações’’.
A opinião causou bastante polêmica. Alguns jornalistas argumentaram que, no interesse público, seria ético obter informações que pudessem desmascarar atos de corrupção ou outro tipo de crime. Anísia, no entanto, foi irredutível. ‘‘A verdade sempre deve prevalecer, independente dos interesses’’, argumenta. ‘‘Qualquer artimanha é uma transgressão à ética, não importa o tamanho ou o interesse que a notícia vá provocar’’.
Ela lembra ainda que o jornalista está ferindo a ética toda vez que aceita presentes, convites para viagens, passeios e até mesmo almoços, jantares ou drinques que não sejam pagos por ele ou pelo veículo de comunicação no qual trabalha. A jornalista Anísia Sá acredita que esses pequenos presentes seriam, na verdade, pequenos aliciamentos, pequenas corrupções.

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