Eternos aprendizes
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terça-feira, 17 de julho de 2012
Marcos Roman <br> Reportagem Local 
''Estou acertando as contas com um passado mal resolvido''. Aos 70 anos, Antonio Carlos Rodrigues da Silva usa o bom humor para explicar o fato de ter começado a estudar música tardiamente. ''Sempre admirei violino. Quando era criança assistia espetáculos de orquestra com dezenas de instrumentos, mas só conseguia prestar atenção neles'', conta. Após anos de paixão a distância pelo instrumento, ele decidiu aprender a tocá-lo.
''Atuei a vida toda como engenheiro e professor universitário e somente há 10 anos, depois que me aposentei, comecei a fazer aulas para aprender a tocar violino'', revela. Os cabelos brancos de Silva se destacam na sala repleta de crianças e adolescentes que compartilham com ele da mesma afinidade e que também estão aprendendo a tocar, durante curso no Festival de Música de Londrina (FML). ''O que as crianças aprendem em dois ou três anos eu demoro dez, mas vou em frente pois sempre é tempo de aprender'', ressalta.
Andando pelos corredores do Colégio Mãe de Deus, na Área Central de Londrina, principal sede do FML, é natural encontrar alunos de várias faixas etárias. Entre os 950 inscritos no evento há pessoas com idade entre 3 e 88 anos. Funcionária pública em Brasília, Mônica Bimbato resolveu investir desde cedo na formação musical dos filhos. ''Acho que incentivar as aulas de música é investir na formação humana dos meus filhos, pois dessa forma eles desenvolverão a sensibilidade e o senso crítico'', destaca.
Ela veio do Distrito Federal especialmente para que os filhos, Amanda, 4 anos, e Angelo, 7, participem do FML. ''Eles participaram do programa de Musicalização para Bebês e agora estão aprendendo a tocar violino. Minha família não tem tradição musical e somente mais tarde eles vão decidir se querem ou não se profissionalizar na área, mas acho importante dar essa base para que eles tenham opção de escolha mais tarde'', argumenta.
A professora de francês Joseny Soncella inscreveu os filhos no FML para que eles se sintam mais integrados nos encontros musicais da família. ''Em casa todo mundo toca algum instrumento. Acho importante despertar o interesse pela música nas crianças, pois além de agradável ela ajuda a desenvolver a concentração, a sensibilidade e ajuda no desenvolvimento psicológico'', enfatiza. Ela aproveitou as férias escolares dos filhos Maria Luiza, 5 anos, e Daniel, 8, para matriculá-los no curso de flauta doce.
Sem histórico de músicos na família, Felipe Soares Luiz, 11 anos, teve seu primeiro contato com um instrumento em uma projeto social que frequenta há sete meses na Zona Leste de Londrina. ''Minha mãe é passadeira e meu pai é gesseiro. Sou o primeiro musicista da minha família. No Projeto Solidariedade, que frequento no Jardim Vicente Palotti, tem vários instrumentos musicais, mas desde o primeiro dia me interessei pelo saxofone'', contou o estudante da 6 série do Ensino Fundamental.
Além do fato de ter a oportunidade de se aperfeiçoar no instrumento, Felipe comemora o fato de poder passar mais tempo com o saxofone do projeto. ''Eu tenho aula uma vez por semana e, de vez em quando, pego o sax emprestado para ensaiar em casa. Agora vou poder me dedicar ao sax durante todos os dias do festival, pois o pessoal do projeto me emprestou um'', afirma o jovem, ao revelar o sonho de se tornar um músico profissional.
Já Wesley Rodrigues Martins, 35 anos, diz ter resolvido participar do festival para aprimorar seus conhecimentos. ''Me matriculei nos cursos de prática de coro adulto, musicalização na terceira idade e flauta doce. Trabalho como professor de música há dez anos na cidade de Garça, interior de São Paulo, onde moro. Acho importante a gente ir se aperfeiçoando ao longo da vida, pois não há idade certa para aprender coisas e melhorar o que a gente já sabe'', conclui musicista.


