Com a proposta de incentivar a participação do Paraná em pesquisas espaciais foram apresentados ontem, na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, os resultados das primeiras pesquisas feitas por três instituições de ensino brasileiras, ainda em março deste ano, junto à ITA, a empresa americana Instrumentation Technology Associates Incorporated.
Com sede na Pensilvânia, a empresa é uma das maiores fabricantes dos chamados MDAs, micro-laboratórios que permitem a professores e estudantes do país, enviar para o espaço experimentos nas áreas de biologia, biotecnologia e ciência de materiais.
A primeira experiência feita com as pesquisas brasileiras levou projetos da Universidade do Vale da Paraíba, além de trabalhos da Universidade de São Paulo e da Faculdade de Engenharia Industrial, também daquela cidade. Os resultados foram tão satisfatórios que de 19 a 21 deste mês, um workshop estará fazendo levantamento de outros projetos que possam ser também enviados nos foguetes.
Um dos representantes do Instituto de Aeronáutica e Espaço de São José dos Campos (SP), também envolvido no projeto, o pesquisador Basílio Baranoff explica que, por ano, o Brasil pode mandar para o espaço até 200 quilos de material de pesquisa. Número que hoje é muito inferior. ‘‘Por isso nosso interesse pelas pesquisas universitárias’’, completa ele. ‘‘Não podemos garantir financiamento aos projetos, mas fazemos todo o processo de mediação para que eles sejam embarcados.’’
Segundo Baranoff, existem hoje, no Brasil, 70 indústrias envolvidas com produtos espaciais. Entre elas, fabricantes de alimentos que já mandaram até mesmo margarina para o espaço, para ver o comportamento dos ingredientes e conservantes.
Mas o interesse é ainda maior na área dos medicamentos. Engenheira Aeronáutica da ITA, a americana Valerie Cassanto, também falou sobre este aspecto das pesquisas. Segundo ela, o Brasil tem grandes chances de fazer boas descobertas na área das drogas anti-bacterianas. ‘‘Os pesquisadores da USP mandaram em março, para o espaço, cristais de açúcar para testar a influência da microgravidade sobre eles’’, lembra Valerie. ‘‘Lá, eles viram que eles crescem mais e com mais perfeição. As pesquisas podem auxiliar futuramente na fabricação de medicamentos para doenças graves como o câncer e a AIDS.’’

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