Estudo revela falhas no atendimento a presos
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quarta-feira, 22 de maio de 2002
Luciana PomboEquipe da Folha 
Curitiba - Conselhos Regionais, Ministério Público e Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná (OAB-PR) apresentaram ontem um relatório preliminar das condições dos 90 profissionais de saúde que atuam nas penitenciárias de Curitiba e Região Metropolitana e concluíram que as limitações do sistema penitenciário impedem os profissionais da área de atuarem de forma eficaz.
Segundo a professora Araci Asinelli da Cruz, responsável pela análise da pesquisa, os planos de saúde feitos para os internos não são cumpridos por causa da falta de segurança nas unidades penais. Os profissionais de saúde estão desanimados e estressados. Chega ao absurdo de apenas um profissional ter que atender 110 detentos. Claro que não se pode dar qualquer tipo de tratamento médico, psicológico ou social com um contingente tão grande de presos, analisou ela.
A pesquisa, feita a partir da rebelião de junho de 2000 na Penitenciária Central do Estado (PCE), revelou ainda que a maioria dos profissionais se sente desvalorizada e apresenta problemas de saúde mental, como neuroses, alcoolismo, drogas e hipocondria. Foram verificados que os locais de trabalho são inadequados para o desenvolvimento da profissão, faltam medicamentos e outros materiais, não existem espaços de convivência e laser, os recursos financeiros e de transporte são insuficientes.
Os profissionais sugeriram que fossem criadas unidades penais menores, com atendimento especializado feito através de convênios com universidades, com investimentos em segurança e na atenção das famílias dos internos e dos profissionais. O diretor do Departamento Penitenciário Nacional, Ângelo Roncalli de Ramos Barros, analisou a pesquisa e disse que os estados estão avançando com a criação de políticas de capacitação de pessoal e uma política de apoio aos servidores.
Não podemos admitir que os servidores sejam reféns do sistema. Os casos de alcoolismo e suicídio crescem assustadoramente entre este tipo de funcionário, complementou. Somente este ano, deverão ser investidos em capacitação R$ 308 milhões em todo o Brasil.
O representante do Conselho Nacional de Política Criminal, Maurício Kuehne, sugeriu a representação dos conselhos regionais no Conselho Penitenciário Estadual. Temos que dar representatividade para todos nós, declarou. Ele teve o apoio oficial de Roncalli.
Os resultados da pesquisa, que ouviu 65,55% dos profissionais contratados, sendo que 74,57% mulheres, foram apresentados durante o II Fórum da Ação Conjunta Segurança Pública, Sistema Penitenciário e a Cultura da Paz, no Salão de Atos do Parque Barigui. Foram ouvidas pessoas com idades entre 29 e 63 anos e com tempo de serviço que variava entre 9 meses e 28 anos.


