Estudo revela crescimento das periferias
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de novembro de 2000
Emerson Cervi De Curitiba 
A década de 90 marca um crescimento das periferias nas metrópoles brasileiras. Quarenta e nove aglomerações urbanas, das quais 13 são consideradas metrópoles, reúnem atualmente 47% da população brasileira. No Paraná, além da metrópole de Curitiba, são consideradas aglomerações urbanas (com mais de 200 mil pessoas em conurbações) Londrina, Maringá, Cascavel e Foz do Iguaçu. A tendência para as próximas décadas é de redução na velocidade de crescimento dos grandes centros e interiorização metropolitana.
Essas e outras informações fazem parte do estudo Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Unicamp, em parceria com instituições regionais. No caso do Paraná, o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) participou do trabalho.
Entre as novas características das metrópoles encontradas pelos pesquisadores está a periferização das aglomerações urbanas. Populações de baixa renda estão se concentrando nos limites entre o núcleo (cidade principal) e municípios conurbados. Até os anos 80, cada cidade da região metropolitana tinha a sua própria periferia. Hoje, alguns municípios são a periferia dos grandes centros.
Outra característica atual das metrópoles é a redução da velocidade de crescimento demográfico. A exemplo do que tem acontecido em Curitiba, os centros metropolitanos de outras regiões crescem proporcionalmente menos que as cidades mais próximas. Há ainda uma maior pressão por centros urbanos no interior do País, como Londrina, Maringá, Blumenau e demais cidades de porte médio que têm crescido conjugados com seus vizinhos.
Com base nesse trabalho, o governo federal definiu três grandes áreas de investimentos públicos para as metrópoles. Combate a pobreza, em especial nas periferias das regiões metropolitanas, com ampliação de programas de habitação e infra-estrutura urbana. Em segundo lugar vem a melhoria da competitividade entre as cidades, através da estruturação dos sistemas viários, de comunicações e de qualidade de vida. Entre os fatores do chamado custo Brasil está a baixa competitividade de nossas metrópoles quando comparadas com as de outros países, explica o diretor do Ipea, Ricardo Lima. A terceira linha de ação será em favor da melhoria da gestão e planejamento nas regiões metropolitanas brasileiras.
Curitiba é uma das metrópoles que reúne a menor proporção populacional de seu Estado. Vivem atualmente nos 25 municípios que compõem a Região Metropolitana de Curitiba 2,7 milhões de pessoas, ou 26,45% do total do Estado. A metrópole Rio de Janeiro representa 74% da população de seu Estado. Em São Paulo, 49% da população vive na capital e em Porto Alegre, 33%.
Começou ontem e termina hoje, no Centro Integrado dos Empresários e Trabalhadores das Indústrias do Paraná (Cietep), um seminário onde estão sendo apresentados os resultados do trabalho. Essa é a terceira pesquisa sobre regiões metropolitanas brasileiras desenvolvida pelo IBGE. A primeira foi em 1967 e a segunda em 1982.


