Estudo reprova 60% dos fitoterápicos
Marcos Zanatta
De Maringá
Estudantes do curso de farmácia e farmacologia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) reprovaram 60,2% dos medicamentos fitoterápicos adquiridos nas farmácias da cidade e analisados no Laboratório de Farmacognosia da universidade. Ontem, o professor Luiz Carlos Marques, que coordenou o trabalho, pediu providências à Vigilância Sanitária.
Segundo ele, foram comprados 60 tipos de fitoterápicos em farmácias da área central da cidade. O material foi analisado de forma simples. Além da análise visual, que identificou sujeiras no material, foi feita avaliação botânica para comprovar se o produto corresponde ao que diz a embalagem. O resultado mostrou que 2/3 dos produtos estão fora das condições de uso, disse Marques.
Ele contatou ainda que a maior parte dos medicamentos analisados é produzida por laboratórios que atendem todo o País, o que dá a entender que todo o mercado passa pelo mesmo problema. Marques deixou claro que mesmo empresas idôneas acabam incorrendo em erros.
Alguns dos fitoterápicos que apresentam irregularidades são à base de maracujá, eucalipto, catuaba e o nó-de-cachorro. Nos casos pesquisados, os produtos encontrados no mercado não é usada a parte correta da planta ou então é empregada outra planta que tenha o mesmo nome popular mas não o mesmo princípio ativo.
Fizemos a avaliação porque não adianta nada ficarmos aqui ensinando o uso de fitoterápicos se o que existe no mercado não tem eficácia, alerta Marques. Ele lembra ainda que o governo deu um prazo de 10 anos para as empresas se adequarem. Já se passaram cinco anos e nada mudou. Mas ainda acredita que o mercado vai melhorar.
Para Marques, a pressão da Vigilância Sanitária deve recair sobre os profissionais responsáveis pelas farmácias. São farmacêuticos que conhecem o produto e deveriam recusar a venda nas condições encontradas, opina. O secretário de Saúde de Maringá, Ivan Murad, prometeu acionar a Vigilância Sanitária, a Regional de Saúde e o Conselho Regional de Farmácia. Vamos colocar os fiscais para alertar os farmacêuticos e donos de farmácias e depois responsabilizá-los se o problema persistir, prometeu.





