Estudo paranaense pode evitar mortes de renais crônicos
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terça-feira, 16 de setembro de 2008
Thiago Alonso<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) apresentaram ontem no XXIV Congresso Brasileiro de Nefrologia, em Curitiba, um pesquisa inédita que relaciona a insuficiência de vitamina D no organismo de pacientes com problemas renais. A deficência da substância resulta em mais mortes por problemas cadiovasculares.
Segundo o professor e nefrologista Roberto Pecoits-Filho, o estudo inédito realizado em Curitiba pode ajudar no tratamento de renais crônicos. Como consequência, evita mortes causadas por problemas cardiovasculares, desenvolvidos com mais facilidade por pacientes que tenham deficiências nos rins. A relação entre os dois males é íntima. ''O estudo pode mudar as formas de tratamento nesses pacientes, dando mais perspectivas de vida'', diz o nefrologista, orientador do mestrando Sérgio Bucharles, que desenvolvou o trabalho.
O estudo foi realizado durante um ano com 40 pacientes que estão em tratamento de hemodiálise no Instituto do Rim da Santa Casa de Curitiba. Destes, 67% possuíam deficiência de vitamina D. Nos pacientes que possuíam déficit da substância, a presença de alterações cardíacas era duas vezes maior. Disfunções no sistema imunológico também foram detectadas. Os rins, além de servir como filtro, têm a função de ativar a vitamina D. Se o órgão não funciona bem, acaba prejudicando a distribuição da substância no organismo.
A vitamina D pode ser obtida por meio da alimentação. Está presente em peixes, ovos e cereais fortificados. Outra forma de se obter é através da exposição ao sol.
O resultado apresentando ontem no congresso de nefrologia é o primeiro estágio da pesquisa. Segundo Pecoits-Filho, o próximo passo é realizar a reposição da vitamina no organismo e observar se isso reverte as complicações causadas pela insuficiência renal.
Ele diz as soluções apresentadas pela pesquisa são apenas a ponta do iceberg em se tratando de problemas renais. Estima-se que 12 milhões de brasileiros sofram de deficiência nos rins em fases iniciais, quando é possível realizar um tratamento menos extremo que a hemodiálise.


