Estudo mostra desgaste e desvalorização dos profissionais de enfermagem
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quinta-feira, 06 de agosto de 2015
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba Um em cada quatro profissionais de enfermagem no Paraná possui renda inferior a R$ 1 mil por mês. O índice, de 20%, está acima da média nacional, de 17,6%, e é superior aos encontrados nos demais Estados da Região Sul 7,8% em Santa Catarina e 14% no Rio Grande do Sul. Pelo menos 320 trabalhadores (0,4%) não recebem nem mesmo um salário mínimo (R$ 788). As informações fazem parte da pesquisa "Perfil da Enfermagem no Brasil", realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com o Conselho Federal da categoria, o Cofen. Os dados estaduais foram divulgados ontem, durante evento em Curitiba.
"São dez notas de R$ 100 para alguém que cuida da sua vida, desde o momento em que você nasce, até quando morre", criticou a presidente do Conselho Regional de Enfermagem (Coren) do Paraná, Simone Peruzzo. "A profissão nasce do conceito de cuidar, como um dom, uma dádiva, algo que vem do coração. Adoram nos chamar de anjos de branco. E anjos não têm sexo, nem salário. É como se nós não precisássemos de boas condições de trabalho", completou.
O Estado conta atualmente com 80.067 servidores na área, sendo 19.224 (23,5%) enfermeiros e 60.843 (76,5%) técnicos ou auxiliares de enfermagem. A maioria (87,9%) é mulher, atua no serviço público (56,9%) e tem menos de 40 anos (62,2%). O levantamento também revela uma porcentagem grande 74% de profissionais que se dizem desgastados com a atividade que praticam. Novamente, a taxa supera as verificadas nas unidade da federação vizinhas.
Apesar da desvalorização, a presidente do Coren-PR disse que chama a atenção o fato de o Estado apresentar uma qualificação acima da verificada nos demais - 30,1% dos trabalhadores de nível médio fizeram ou estão fazendo curso de graduação. Outro dado apontado por ela é que 24,2% dos entrevistados já sofreram violência e 18% foram vítimas de discriminação no ambiente de trabalho, sendo que, neste último caso, 52,9% dos registros estão relacionados à questão de gênero. "A profissão é discriminada. E por quê? Por sermos mulheres", resumiu.
Para a coordenadora-geral do estudo, Maria Helena Machado, da Fiocruz, os números mostram que os governantes não estão dando a devida importância a esses servidores. "Espero que a presença das autoridades aqui hoje (ontem) ajude a mudar a realidade", discursou, em referência à participação dos representantes das Secretarias Estadual e Municipal de Saúde (de Curitiba) na solenidade de lançamento. Segundo ela, o objetivo do diagnóstico é subsidiar a construção de políticas públicas.
A pesquisa é a maior do setor já feita na América Latina. Ao todo, foram ouvidas 36 mil pessoas, de 50% dos municípios e dos 27 Estados. Entre os 3,5 milhões de trabalhadores da saúde, 1,8 milhão faz parte da categoria. "(O levantamento) traz para a sociedade quem somos. Além disso, mostra para a população que estamos em pleno sofrimento. É importante dizer que esses profissionais vulneráveis é que vão nos atender lá na ponta", afirmou Peruzzo.


