Índices desproporcionais de casos de hepatite B no Oeste e Sudoeste do Paraná, em comparação com as demais regiões do Estado começam a ser investigados na primeira tentativa de identificar as causas. A investigação será feita pelo professor Denis Bertolini, da área de imunologia do departamento de análises clínicas da Universidade Estadual de Maringá (UEM). O professor defenderá tese de doutorado sobre o assunto na Universidade Federal de São Paulo.
A grande incidência da hepatite B, histórica nas duas regiões, foi mais uma vez ressaltada ontem em Cascavel, durante o Dia do Doador de Sangue, com campanha estadual para estimular doadores permanentes. A informação sobre os estudos do professor Bertolini foi dada à Folha pela diretora do Hemocentro de Cascavel, Silvana Tomazzi. Segundo ela, os índices não estão regredindo. Isso implica na inutilização de boa parte das doações de sangue.
Segundo a 10ª Regional de Saúde, em 23 municípios de sua abrangência em todo o ano passado foram registrados 266 casos de hepatite viral (todos os tipos). Gerti Berto, do setor de epidemiologia da Regional, relata que, daqueles casos, 126 eram assintomáticos, ou seja, os portadores desconheciam ter a doença, o que só foi constatado em exames de sangue. Até maio deste ano, foram 105 casos de hepatite.
O professor Denis Bertolini foi localizado pela Folha ontem por telefone, em São Paulo, onde tratava de seu doutorado. Ele disse ter em mãos estudos referentes a 97, indicando a ‘‘prevalência’’ - contato com o vírus, que pode ou não ter estabelecido a doença - em 30% dos que se dispuseram a doar sangue na microrregião de Cascavel. Na microrregião de Francisco Beltrão, no Sudoeste, o índice chegou a 42%. ‘‘No Paraná, no conjunto das regiões, o índice foi inferior a 8%’, relatou.
Como não há referencial para embasar seus estudos, o professor considerará aspectos que, teoricamente, poderiam ajudar a pesquisar as causas da alta incidência. Um deles é a origem predominante da população das duas regiões - Santa Catarina e Rio Grande do Sul - e descendente de europeus, principalmente italianos e alemães. ‘‘As famílias e as comunidades geralmente são muito integradas, e um determinado tipo de vírus poderia ser comum entre elas’’, especula, lembrando que no norte catarinense os índices da hepatite B são semelhantes. A hepatite é transmitida pelo sangue e relações sexuais.
Campanha A campanha de doação de sangue feita pelo Hemopar de Cascavel foi iniciada terça-feira e prossegue até amanhã, com estimativa de que 400 doadores, mas sem estimativa de quantos se tornem permanentes. O Hemocentro, que funciona no Hospital Regional de Cascavel, atende este e outros 14 hospitais da região, tem cerca de 700 doadores eventuais ao mês, e precisa pelo menos de 200 fixos. O Hemocentro utiliza um ônibus originalmente montado para a coleta volante, o primeiro no Paraná sem adaptação posterior para a finalidade.Edson MazzettoSangueSilvana Tomasi, diretora do Hemocentro de Cascavel que atende 14 hospitais da região Oeste do Estado
Paulo Pegoraro

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