O cruzamento das avenidas Brasília e Dez de Dezembro é o ponto mais perigoso do trânsito de Londrina. A avaliação é resultado de um estudo da quantidade e gravidade dos acidentes ocorridos no perímetro urbano em 2004. Um programa de computador desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) faz a análise baseado em dados dos mais de 9 mil cruzamentos da cidade. A estatística servirá para direcionar ações para diminuir o número e a violência dos desastres.
O programa atribue valores para cada tipo de acidente: fatal, com vítima grave, média ou leve e sem vítima. A somatória dos índices revela o nível de perigo de cada cruzamento: Unidade Padrão de Severidade (UPS). Portanto, os locais mais perigosos são definidos pela combinação de quantidade e gravidade dos desastres.
Nenhuma vítima morreu na Brasília com Dez de Dezembro (Zona Leste). No entanto, a localidade teve 58 acidentes no ano passado, contabilizando índice UPS de 160. Na sequência, a esquina da Amazonas com Acre atingiu UPS de 159 e o cruzamento da Brasília com Rio Branco, 142. Os dados sobre as características dos desastres foram fornecidos pela Companhia de Trânsito do 5 º Batalhão da Polícia Militar (BPM).
''O estudo utilizou critérios científicos. A partir da pesquisa será feito um planejamento integrado para desenvolver de maneira articulada ações para diminuir a serveridade dos acidentes'', explicou o presidente do Ippul, Luiz Figueira de Mello. O lançamento da pesquisa reuniu ontem representantes de órgãos do setor na sede do instituto: Departamento de Trânsito (Detran) e Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), PM.
No ano passado, o trânsito de Londrina fez 83 vítimas fatais. Três morreram em pontos identificados na pesquisa entre os dez mais perigosos da cidade. O índice de 2005 mantém média semelhante: 41 mortes até agora. As autoridades explicaram que os dados servirão para balizar diferentes tipos de intervenção, como adequação da sinalização, obras ou aumento da fiscalização e de campanhas de educação.
Para o cruzamento da Brasília com Dez de Dezembro, a previsão é construir alças de acesso. A obra deve ser feita junto com a duplicação da Rodovia Carlos João Strass.
O diretor de trânsito da CMTU, Álvaro Grotti Junior, salientou que todos os dez pontos críticos são ''bem sinalizados.'' ''Com o estudo, poderemos definir as intervenções necessárias para cada ponto. Apenas não temos condições de ter um agente em cada esquina'', afirmou. Segundo ele, a companhia está desenvolvendo projetos de educação para motoristas e pedestres.
Com a sinalização supostamente correta, a culpa pelos acidentes recairia sobre os motoristas e pedestres. O tenente Paulo Siloto, chefe da Companhia de Trânsito, revela que é comum registrar autuações por excesso de velocidade. Com o intuito de reprimir os abusos, os policiais devem expandir a fiscalização nas ruas da cidade na próxima semana. ''A questão da educação é muito importante para reduzir os acidentes'', enfatizou.
''O diagnóstico diferenciado dos acidentes pode contribuir para identificar o motivo pelo qual os pontos continuam perigosos e estabelecer ações localizadas para solucionar os problemas'', resumiu Mello.

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