Estudo faz parte de projeto da Nasa
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segunda-feira, 27 de julho de 1998
Dimitri do Valle 
Uma bactéria capaz de melhorar o desenvolvimento de plantas e gerar uma economia anual de US$ 500 milhões no setor de fertilizantes para agricultura será enviada, por professores do Departamento de Bioquímica da Universidade Federal do Paraná (UFPR), ao espaço, como parte das experiências do próximo ônibus espacial da Nasa. Isso será possível graças ao convênio entre a agência espacial norte-americana e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) para cooperação tecnológica. O lançamento está previsto para o dia 29 de outubro na base de Cabo Canaveral, no Estado da Flórida (EUA).
Os cientistas querem comparar o processo de cristalização em laboratório da proteína P-II com experiências a pelo menos 400 quilômetros de altura. Amostras da proteína serão colocadas à bordo do ônibus espacial. A P-II atua diretamente em processos de metabolismo que envolvam o nitrogênio, o elemento essencial para o desenvolvimento de uma planta. No espaço, onde predomina a microgravidade, a qualidade de cristalização é melhor do que na Terra. Suas moléculas se encaixam com mais perfeição e sua estrutura é mais uniforme, explica o professor do setor de Ciências Biológicas da UFPR, Fábio de Oliveira Pedrosa. Ele acrescenta que com a cristalização espacial da proteína será possível acompanhar cada passo do desenvolvimento da P-II.
A professora de Bioquímica, Elaine Machado Benelli, viajará para os Estados Unidos com a finalidade de preparar a proteína P-II que será colocada num reservatório do ônibus espacial. Os dados sem a gravidade da Terra são obtidos com maior resolução, observou. A expectativa de Benelli, que desenvolve o projeto desde que obteve o título de doutorado, é de que a bactéria da experiência tenha condições de economizar a maior quantidade de nitrogênio possível que uma planta necessitar para crescer. Técnicas semelhantes, com outros tipos de bactérias, são colocadas em prática há 30 anos no cultivo da soja. A economia em fertilizantes neste setor, segundo o professor Fábio Pedrosa, chega a US$ 1 bilhão só no Brasil.
De acordo com o professor Emanuel Maltempe, que também participa do programa, o projeto tem duração de quatro anos e é desenvolvido há um ano e seis meses. A participação da Nasa no projeto paranaense só foi possível graças ao acordo firmado pelos governos brasileiro e dos Estados Unidos. O projeto é financiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, através do Programa de Núcleo de Excelência em Pesquisa.A UFPR desenvolve bactéria para melhorar o desenvolvimento de plantas e gerar uma economia em fertilizantes
Marcelo AlmeidaQualidadeO professor Fábio de Oliveira Pedrosa explica que as moléculas se encaixam com melhor precisão no espaço graças à ausência de gravidadeOs cientistas querem
comparar a cristalização
na Terra com experiências
a 400 km de altura


