Especial para a Folha
A Mineropar iniciou ontem, em Bocaiúva do Sul, Região Metropolitana de Curitiba, um levantamento sobre a situação do terreno, onde, em questão de horas, no final da tarde da última quinta-feira, três crateras de até 15 metros de profundidade se abriram no solo e um açude com um milhão de litros de água e três mil peixes sumiu. A Mineropar vai mapear o terreno em Salto de Santa Rita, a oito quilômetros do centro do muncípio, onde aconteceu o acidente, de modo a delimitar as áreas de risco e definir se há algum perigo para os moradores da região.
‘‘Nós queremos dar tranquilidade aos moradores, sabendo se o proprietário do terreno ou os vizinhos têm algum risco, se podem continuar andando ou dirigindo seu trator no local’’, disse o presidente da Mineropar, Omar Ackel. Ele espera ter o levantamento em mãos em uma semana.
Geólogos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), técnicos da Sanepar e da Mineropar, que vistorearam o local, foram unânimes em afimar que o que aconteceu foi um desabamento natural naquele tipo de terreno, que nada tem a ver com as explorações de água feitas pela Sanepar no aquífero Karst.
Segundo a especialista em Geologia exploratória e professora da UFPR, Maria José Mesquita, ‘‘este tipo de acidente não é raro em região de calcáreo, de cavernas e grutas, como é aquela região’’. O mármore e calcáreo, existente no subsolo vai sendo dissolvido ao longo do tempo pela água infiltrada no solo, abrindo cavernas, até que, um dia, o solo desaba. ‘‘É o mesmo processo de formação das cavernas’’, diz. O desaparecimento do açude tem a mesma explicação: a terra teria desabado para dentro de alguma caverna formada no subsolo. O geólogo Renato Eugênio de Lima, especialista em riscos geológicos, concorda. Para ele, o que aconteceu ali foi um ‘‘desabamento numa região kárstica, mas não pode ser relacionado com a retirada de água do aquífero pela Sanepar’’.
O gerente de Hidrogeologia da Sanepar, Arlineu Ribas, lembra, ainda, que este tipo de solo exige uma análise geotécnica completa antes de se edificar qualquer estrutura sobre ele, pois é muito frágil e pode desabar.Arquivo FolhaA cratera de até 15 metros de profundidade que se abriu em Bocaiúva do Sul foi provocada por uma acomodação natural da terraMaigue Gueths

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