Suçuarana, leãozinho-baio, leão de cara-suja, puma concolor ou simplesmente puma. São muitos os nomes para designar a espécie dos felinos que já foi comum nas três Américas, mas os lugares em que ela pode ser encontrada são cada vez mais raros. Para evitar a sua extinção e também para estudar os hábitos desses mamíferos, a Klabin Paraná Papéis, em parceria com a Organização Não-Governamental (ONG) Projeto Puma, desenvolveu em Telêmaco Borba (a 260 km de Curitiba) o projeto ‘‘Estudo Ecológico do Puma na Fazenda Monte Alegre’’. O projeto durou dois anos e rendeu aos seus realizadores o Prêmio Von Martius de Meio Ambiente, que será entregue hoje, em São Paulo.
Realizado entre março de 1998 e março deste ano, o estudo constatou a existência de 286 pumas nos cerca de 200 mil hectares da Fazenda Monte Alegre. Para concluir a pesquisa foram utilizados equipamentos específicos, como monitoramento por rádio-colar (telemetria), identificação por pegadas, máquinas fotográficas remotas e até mesmo armadilhas.
Nas nove armadilhas montadas ao longo da fazenda, foram capturados dois pumas que receberam um rádio-colar e posteriormente foram devolvidos ao habitat natural. Com esse rádio, explicou o engenheiro florestal, especialista em ambiência da Klabin, Ralf Andreas Berndt, os técnicos puderam observar os hábitos dos pumas e também avaliar a biodiversidade da fazenda. ‘‘O puma é uma espécie de topo da cadeia alimentar. A existência dele numa área quer dizer que existe muita comida e, consequentemente, muitos animais para serem estudados’’, esclarece Ralf, que também coordenou o projeto.
Uma das maiores dificuldades, segundo o engenheiro, foi justamente capturar os pumas para instalar o rádio-colar. Nas inúmeras tentativas foram capturadas oito jaguatiricas. ‘‘Aproveitamos para fazer um breve estudo desse animal’’, ressalta. De acordo com estimativas da Klabin já foram identificadas 322 espécies de aves e 50 espécies de mamíferos na Fazenda Monte Alegre. Além do puma e da jaguatirica, são comuns na região o tamanduá-bandeira, o lobo-guará, lontra, gato-maracaja e gato-do-mato-pequeno. Também são encontrados tatu, cateto, ouriço, capivaras e aves pequenas, que fazem parte da alimentação do puma, conforme constatado no estudo.
Nos dois anos de pesquisa, o projeto consumiu R$ 52 mil. Mas apesar dos resultados positivos, o prêmio que será entregue hoje encerra o estudo na região. O engenheiro florestal explica que falta de verbas e de pessoal podem ser obstáculos para a continuidade do projeto. A premiação não consiste em verbas, mas em um certificado de ‘estímulo’. ‘‘Para nós é uma forma de divulgação do que a empresa está fazendo para preservar o ambiente’’, acredita.