O fechamento da Estrada do Colono provocou um prejuízo de pelo menos R$ 3,3 bilhões a 14 municípios das regiões Oeste e Sudoeste do Paraná. A conclusão é de um levantamento feito pelo professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ademir Clemente.
Entre 1987 - um ano após o fechamento - e 1994, Clemente pesquisou a redução das atividades econômicas nos municípios diretamente afetados: Capanema, Planalto, Pérola do Oeste, Pranchita, Santo Antonio do Sudoeste e Barracão (Sudoeste); e Medianeira, São Miguel do Iguaçu, Matelândia, Itaipulândia, Missal, Santa Helena, Entre Rios e Pato Bragado. Foram pesquisados os setores de comércio, agricultura, serviços e indústria.
A Estrada do Colono, que corta um trecho de 17,3 km do Parque Nacional do Iguaçu, foi interditada em setembro de 1986, por meio de uma decisão judicial. Com a medida, a distância entre os municípios das regiões Oeste e Sudoeste que margeiam o parque aumentou em 120 km.
Os municípios mais atingidos foram Capanema (Sudoeste) e Medianeira (Oeste), localizados nas duas extremidades do parque. Medianeira foi beneficiada pela atenuante de ter seu território cortado pela BR-277 (rodovia federal que atravessa o Paraná, unindo Paranaguá a Foz.
Capanema, no entanto, ficou praticamente isolada, sem ligação com o Oeste e com apenas um acesso rodoviário com o Sudoeste. Em 1995, a região Oeste também ganhou uma situação similar à de Capanema, com a emancipação de Serranópolis do Iguaçu. O novo município, emancipado de Medianeira, também tem apenas uma rodovia asfaltada - que o liga ao ex-município-mãe - e nenhum contato com seus vizinhos do Sudoeste. ‘‘Viramos um fundo de saco’’, afirma o prefeito Nilvo Perlim (PT).
‘‘Antes do fechamento da Estrada do Colono, o valor agregado (correspondente às atividades econômicas) de nosso município era equivalente a R$ 40 milhões mensais. Hoje esse valor caiu pela metade’’, compara o prefeito de Capanema, Válter José Steffen (PDT).
De acordo com a pesquisa do economista, em apenas seis anos - entre 1986 e 1991-, a população do município sofreu uma redução de 20%: de 22 mil para 18 mil habitantes. Segundo o prefeito, somente no primeiro ano após o fechamento da Estrada do Colono, Capanema registrou o fechamento de 300 empresas, a maioria de pequeno e médio porte.
Steffen afirma que, sem a estrada, Capanema perdeu a tradição na suinocultura. ‘‘Os criadores vendiam os animais para o frigorífico Frimesa, de Medianeira, o único de grande porte na região. Com o fechamento, a distância entre as duas cidades aumentou muito e inviabilizou a parceria’’, conta. ‘‘Nossos suinocultores não tinham mais a quem vender e o frigorífico fechou por falta de matéria-prima.’’
Uma das empresas mais prejudicadas pela interdição da estrada foi a Viação Unesul, sediada em Porto Alegre. Até 1996, a empresa possuía duas linhas entre as regiões Oeste e Sudoeste do Paraná - Barracão/Medianeira (com três partidas/dia) e Barracão/Marechal Cândido Rondon (com duas partidas e duas linhas interestaduais: Itapiranga (SC) a Foz do Iguaçu e Santa Rosa (RS) a Marechal Cândido Rondon. Todas essas linhas utilizavam a Estrada do Colono.
‘‘Tivemos que reduzir a linhas regionais a apenas uma partida diária, e mesmo assim, o movimento de passageiros caiu mais de 60%’’, conta o gerente da filial da Unesul em Medianeira, Dario Koelln.

mockup