Israel Reinstein
De Curitiba
A implantação de um sistema de transporte de massa na BR-116 vai precisar de mudanças, antes de ser implementada. Uma simulação feita por acadêmicos do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR) apontou que a adoção de ‘monorail’ e a alteração da legislação de ocupação do solo, defendido pela Prefeitura de Curitiba, vão provocar migração, concentração de terra e uma padronização do cenário urbano daquela região. O estudo, que foi coordenado pelas professoras da disciplina de Planejamento Urbano, Yara Vicentini e Gislene Pereira, está servindo de base para representantes da universidade sugerirem novas idéias na discussão da lei de zoneamento e de uso de solo na Câmara Municipal.
Uma das falhas apontadas na simulação é a padronização do cenário. De acordo com a professora Yara Vicentini, a nova legislação de zoneamento e uso de solo vai reproduzir o mesmo quadro existente hoje nas estruturais, com zonas residenciais específicas. ‘‘A utilização de zonas provoca uma cenário pouco criativo para uma cidade, que é marcada pelo estigma de ser criativa’’, avalia a professora. Yara entende que as construções vão se caracterizar por prédios na margem da estrada e casas de tamanho médio nas quadras vizinhas.
Outro ponto desfavorável do projeto do monorail é a falta de espaço comum para os equipamentos sociais. No projeto do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), o trilho vai ser colocado no canteiro central. ‘‘Mas esse espaço não é o mesmo em toda extensão de 22 quilômetros da rodovia’’, afirma. O projeto da prefeitura prevê também nesse canteiro a colocação de serviços públicos (creches, escolas, etc).
Yara questiona que esse modelo de urbanização causa também uma alta da especulação imobiliária. ‘‘Os terrenos, onde hoje vivem pessoas de classe média e baixa, são pequenos para a implantação de um prédio, por isso quem for construir terá que reagrupá-los’’, afirma. Essa situação, avalia, deverá provocar migração desse pessoal, para outros bairros mais distantes ou cidade da Região Metropolitana de Curitiba.
Para a professora, a implantação do monorail e a nova legislação de uso do solo podem não ser a melhor resposta. ‘‘O endividamento que a prefeitura vai contrair para implantá-lo será alto para cidade, mesmo subsidiado pelo período de 40 anos’’, diz. Para ela, seria mais interessante modificar o projeto, extinguindo as zonas residenciais.Simulação foi feita por estudantes de Arquitetura da UFPR e serve de base para sugestões na discussão da lei de zoneamento
Mauro FrassonCRÍTICAO novo sistema de transporte proposto pela Prefeitura de Curitiba seria implantado ao longo na BR-116. A professora Yara Vicentini diz que uma das falhas do projeto apontadas na simulação é a padronização do cenário

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