Dimitri do Valle
De Curitiba
Especialista diz que se não forem feitos investimentos, a Região Metropolitana de Curitiba terá problemas de abastecimento a partir de 2020
Especialistas em meio ambiente já admitem a possibilidade da Região Metropolitana de Curitiba sofrer problemas de abastecimento por causa da escassez de água a partir do ano 2020. A informação é do professor da Universidade Livre do Meio Ambiente, Otávio Franco Fortes. ‘‘Está na hora de se pensar em investimentos a longo prazo’’, diz. Os dados citados pelo professor são de estudos encomendados pela própria Sanepar e outros organismos do governo do Estado.
Uma das questões que poderá agilizar a busca por soluções é a aprovação do projeto de lei estadual que disciplina o uso de recursos hídricos. O projeto está na Assembléia Legislativa há um ano, mas ainda não foi colocado em votação, observa Otávio Fortes. Caso seja aprovado, o professor universitário assinala que o projeto permitirá a criação de agências de bacias que teriam a responsabilidade de administrar as concessões de uso dos recursos hídricos.
O gerente de distribuição de água da Sanepar, Celso Luis Thomaz, garante que a empresa já tem planos para garantir o abastecimento de água na Região Metropolitana de Curitiba até o ano de 2025. Somente para os próximos dez anos, a Sanepar deverá investir cerca de US$ 350 milhões financiados pelo governo japonês para ampliar os sistemas de abastecimento de água e esgoto da RMC e do litoral. Desse montante, aproximadamente US$ 100 milhões já estão sendo aplicados.
A capacidade de produção da Sanepar para a região metropolitana é de 6,7 mil litros de água por segundo. Nos dias de temperaturas elevadas, toda quantidade de água potável que passa pelas estações de tratamento é consumida. Baseado em dados da Organização das Nações Unidas (ONU), o professor Otávio Fortes diz que a falta de água poderá ser um dos motivos que levarão a novos conflitos mundiais. Hoje, menos de 1% da água doce disponível na Terra serve para o consumo humano.
Se depender dos brasileiros, o País contribui para um desperdício frequente do precioso líquido. O gerente de abastecimento da Sanepar, Celso Thomaz, e o professor Otávio Fortes concordam que há um exagerado gasto de água no Brasil. ‘‘O nosso consumo diário é de 150 litros para cada habitante’’, afirma Thomaz. O desafio é baixar o número para 120 litros/dia em dez anos.

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