Estudar com prazer
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domingo, 28 de novembro de 2004
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Um jeitinho calmo, um sorriso tímido, e uma fala tranquila mas muito bem articulada para sua idade. Essa é a primeira impressão que se tem de Tiago Berveliere Madeira, 14 anos, um menino que sempre estudou na Zona Rural e conseguiu alcançar a maior pontuação da Olimpíada Albert Einstein, promovida pela rede de Colégios Nobel. O desempenho excepcional lhe rendeu a realização de um sonho: uma bolsa de estudos para os três anos do ensino médio.
Concorrendo com 200 alunos de rede pública, ele acertou 59 das 60 questões da prova, totalizando 235 pontos. ''É a maior pontuação obtida na rede, já que em 15 anos nunca ninguém conseguiu fazer as 60 questões'', afirma o diretor do Nobel, Gutemberg Freire.
Tiago é filho de um operador de máquinas e de uma dona-de-casa e mora no distrito de Warta. Da cidade conhece pouco, já que sempre morou no sítio. A família é originária de Bela Vista do Paraíso (40 km ao norte de Londrina). Foi lá, segundo a mãe, que ele começou a se destacar nos estudos. ''A gente morava no sítio mas todo ano ele ganhava o primeiro lugar da turma, ele tem um monte de medalhas'', conta Neusa Berveliere Madeira, 41 anos.
Orgulhosa, a mãe afirma que o menino está sempre cercado de livros e que a conquista nem chegou a ser uma surpresa tão grande. ''O povo botava tanta fé nele, vizinhos, professores e colegas, que a gente também acreditou'', diz.
Já Tiago conta que se preparou para a prova. ''A semana inteira me dediquei bastante, minha mãe até reclamou da bagunça de livros que estava em casa'', diz. Dedicar-se aos estudos, aliás, é quase um lazer para o menino que admite que gosta mesmo da coisa. ''Olha, eu gosto de estudar no geral, não tenho uma matéria preferida'', comenta. Entre tarefas e leituras extras - Tiago é um leitor voraz e lê um livro novo a cada semana - ele calcula que passa quatro horas diárias estudando.
Engana-se quem pensa, porém, que a rotina de Tiago se resume ao estudo. Ele também encontra tempo para treinar junto com o coral da Igreja e toca dois instrumentos: violão e guitarra. ''Adoro música, gosto demais de aprender a tocar instrumentos'', conta.
Se a rotina parece intensa, para ele não é. ''O tempo é a gente que faz, não sei como seria a minha vida se eu não tivesse tudo isso para fazer, dou graças a Deus por isso'', argumenta.
Como todo jovem nessa idade, ele ainda está na dúvida quanto à carreira futura, mas já pensa em alguns rumos. ''Estou pensando em química, que gosto bastante'', diz, sem recear o grau de dificuldade do curso. Afinal, para quem já superou tantas, uma a mais não faz muita diferença.


