Dimitri do Valle
De Curitiba
Pela quinta vez neste ano, estudantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) ocuparam ontem a entrada do gabinete do reitor Carlos Roberto Antunes dos Santos. Eles querem a reabertura dos três restaurantes universitários e a manutenção do preço de R$ 0,80 para cada refeição, que foi elevada para R$ 1,30. Os restaurantes estão fechados desde o dia 26 de outubro por determinação da reitoria.
Uma reunião agendada para as 16 horas entre Santos e integrantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) foi cancelada. Em nota à imprensa, o reitor justificou que suspendeu o encontro por causa da atitude dos estudantes em permanecer na entrada do seu gabinete. Durante o protesto, os universitários distribuíram cachorro-quente. O coordenador geral do DCE, Jeferson Choma, criticou Santos pela suspensão do encontro.
‘‘Mais uma vez a reitoria demonstrou uma falta de consideração e respeito ao desmarcar a reunião’’, disse Choma. O reitor comunicou que ‘‘toda e qualquer reunião com os atuais dirigentes do DCE estão suspensas e que os restaurantes universitários somente reabrirão mediante o compromisso da comunidade estudantil de respeito a resolução do Coplad/UFPR’’.
O DCE exige que a reitoria mantenha o diálogo com os estudantes, reabra os três RUs, congele o preço a R$ 0,80 até o final da auditoria nas contas dos restaurantes (Choma diz que há suspeitas de desvio de dinheiro) e que nenhum estudante sofra represálias administrativas pelos protestos. Ontem à noite, policiais federais estiveram no gabinete da reitoria para indiciar os estudantes que participam da ocupação. Revoltado, Jeferson Choma lembrou que a presença dos policiais quebrava a tradição democrática da UFPR. ‘‘Não tínhamos conhecimento disto desde a ditadura militar’’, protestou.

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