Albari RosaUma das alunas da Escola Estadual Vila Osternack que ficou ‘possessa’ é amparada por familiares em casaUma crise de histeria coletiva acometeu ontem alguns alunos da Escola Estadual Vila Osternack, em Curitiba. Acreditando estar possuídos pelo demônio, nove alunos (um menino e oito meninas) desmaiaram em plena sala de aula. O primeiro a desmaiar foi C.S. de 14 anos, que, segundo a direção da escola teria influenciado os demais alunos. De acordo com diretor Ivo Balbinot, o menino teria caído no chão, ameaçando os colegas e professores de morte, com uma voz falseada. ‘‘Foi pura histeria, que chegou a ter ar de armação’’, afirmou o diretor da escola.
Balbinot contou que o menino, que disse estar ‘‘possesso’’, estuda na oitava série, onde aconteceu o desmaio de outras seis alunas. ‘‘O rapaz é seguidor da Igreja Universal do Reino de Deus e teria reproduzido alguns dos rituais de liberação da alma’’, disse o diretor. Segundo ele, depois da cena do menino, duas alunas começaram a passar mal, caindo no chão e sofrendo pequenas convulsões.
O problema aumentou quando alguns alunos saíram da escola para avisar pastores da igreja sobre o caso. ‘‘Logo em seguida, dois pastores entraram na escola afirmando que o local estava possuído por 18 demônios, que viriam pela manhã, tarde e de noite’’, comentou Gelson Pereira, pai de uma menina, que até ontem à tarde dizia estar possuída. Depois da visita dos pastores, outras crianças desmaiaram.
Para resolver o problema, o diretor ameaçou chamar a polícia para prender os pastores, que desapareceram ao saber da notícia. ‘‘Algumas das crianças que aparentemente fingiam desmaio levantaram-se rapidamente, apresentando uma melhora milagrosa’’, disse Ivo Balbinot. Por causa do incidente, o diretor encerrou as aulas, chamando os pais de seis crianças que ainda estavam ‘possuídas’. ‘‘Entregues aos pais, as crianças melhoraram, passando a andar normalmente’’, afirmou o diretor.
Ele contou que o menino C.S., o primeiro ‘possuído’, tem sérios problemas familiares. ‘‘A família está desestruturada e passou a frequentar a igreja, onde ele não teve estrutura para entender os ritos dessa instituição’’, disse. Para resolver o problema, o diretor enviou uma cricular aos pais explicando o caso.
Mesmo com esses comunicados, havia pais que não entenderam alguns pontos do caso. ‘‘Como o diretor deixou entrar os pastores na escola?’’, perguntava-se Sueli Tomás, mãe de um aluno. Para ela, outra dúvida é sobre quem eram realmente os pastores, que depois do incidente desapareceram sem deixar pistas.

mockup