Orientados pela professora Belmira Aparecida da Silva de Souza, os 25 alunos da turma especial de ‘correção de fluxo’ da Escola Estadual São José encontraram uma forma original e prazerosa de estudar e aprender mais sobre o bairro onde vivem. Eles resgataram a história do Jardim Leonor (zona oeste de Londrina) através de visitas e passeios pelas antigas casas, praças e ruas; e de entrevistas coletivas com os pioneiros do bairro.
A sala de correção de fluxo, explicou Belmira de Souza, é uma proposta da Secretaria Estadual de Educação para acelerar a relação série/idade. Desta maneira, alunos reprovados por alguns anos seguidos conseguem estudar, de forma compacta num ano, e voltar ao ciclo normal. Nesta sala da Escola São José, por exemplo, estão alunos com idade entre 10 e 14 anos que, depois deste ano de ensino especial e reforçado, estarão preparados para frequentar a 5ª série em 99.
A pedagoga Belmira de Souza, que tem pós-graduação em metodologia do ensino pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), conta que as atividades programadas para facilitar o aprendizado dos alunos na ‘correção de fluxo’ são desenvolvidas através de subprojetos. ‘‘Os principais objetivos são completar anteriormente eram apontados como problemáticos’’, afirmou a professora.
Um dos subprojetos preferidos é o que propõe a resgatar a história do bairro. Eles passaram a visitar as igrejas, casas, praças, lojas. Enfim, todos os espaços do Jardim Leonor em busca das antigas e novas histórias do cotidiano da população.
Eles descobriram, por exemplo, que o local onde hoje funciona a escola foi, há cerca de 20 anos, o campo de futebol do bairro. Lucas Barbosa Nobre, de 11 anos, que no ano passado estava na 2ª série, diz que gostou muito deste tipo de aprendizagem na prática. ‘‘Descobrimos que um grande problema do meio ambiente é o lixo jogado em qualquer lugar. É legal aprender assim, com exemplos do dia-a-dia. Estou preparado para ir para a 5ª série’’, comentou.
Rafael Augusto Ferreira, também com 11 anos, é outro que diz estar feliz por ter frequentado a turma da ‘correção de fluxo’. ‘‘Eu moro aqui no Leonor, mas nunca tinha aprendido nada sobre o bairro. Agora, consegui aprender bastante e estou muito feliz’’, afirmou ele. A professora Belmira de Souza igualmente se diz recompensada com a experiência: ‘‘Apesar das dificuldades, por ser algo novo, deu ótimos resultados. É uma proposta muito produtiva, que recupera de maneira rápida o básico que os alunos não aprenderam nos anos anteriores. E eu, enquanto educadora, redescobri o sentido do meu trabalho.

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