Érika Pelegrino
De Londrina
A Universidade Estadual de Londrina (UEL) viveu um dia peculiar ontem. Nos corredores dos diversos departamentos, universitários com cadernos e livros nas mãos, expressões preocupadas – quem sabe com o desempenho em uma prova, ou alguma dificuldade em determinada disciplina –, trombavam com crianças e adolescentes sorridentes e tagarelas.
Monitorados pelos próprios universitários de cada departamento, mais de cinco mil estudantes de escolas públicas de Londrina, região e interior de São Paulo, participaram do projeto ‘‘Conheça a UEL’’.
Distantes das atribulações e preocupações da vida acadêmica da maioria dos universitários, adolescentes e crianças (10 a 17 anos) lançaram um olhar diferente sobre as atividades desenvolvidas no câmpus. Muito descontraídos, eles faziam diversas perguntas e nada escapava aos olhares atentos da maioria.
Pode parecer estranho, mas foi o setor de anatomia humana que mais despertou o interesse tanto dos mais novos quanto dos mais velhos. Maísa de Andrade Barbosa, 9 anos, do Colégio Estadual Sagrada Família, de Londrina, com olhar maroto, contou que ficou ‘‘maravilhada’’ ao entrar neste setor.
Mas por que os cadáveres usados nas aulas de anatomia deixaram uma garota de 9 anos tão entusiasmada? ‘‘É que pude ver como eu e as outras pessoas são por dentro’’, afirmou. Apesar do interesse por anatomia, Maísa disse que futuramente não quer fazer nenhum curso ligado a área médica ou biológica. Um tanto precoce, ela garantiu que já sabe o que quer ser quando crescer: ‘‘Vou ser jornalista’’.
Daniela Cristine da Silva Saddi, 15 anos, do Colégio Estadual de Jandaia do Sul, também se ‘‘encantou’’ com o setor de anatomia humana. ‘‘Gostei muito dos mortinhos’’, disse, em tom de brincadeira. Mas foi séria ao dizer: ‘‘quero ser médica legista’’. A aula sobre reflexos medulares ministrada por estudantes do primeiro ano do curso de biologia também lotou a sala de aula.
Alguns assistiam atentos, olhares curiosos, caderno em mãos anotando tudo. Outros, com comportamento típico de adolescentes, tagarelavam e riam. Para o professor de Geografia do Colégio Estadual de Jandaia do Sul, Lourenço Ildefonso da Silva, a experiência é importante para ‘‘mostrar a escola fora da escola’’. Entre os estudantes, a expectativa estava em futuramente voltar para a UEL como universitários. O projeto Conheça a UEL existe há nove anos e ontem foram visitados 35 setores e departamentos, das 8 às 18 horas.

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