Estudantes viram a miséria de perto
A estudante Tatiane Gural, 19 anos, conviveu com a incompreensão e a miséria nos três anos em que participa do ‘‘Disciplina Cidadão 2000’’. Conheceu uma senhora que vivia em condições miseráveis. Além da pobreza, Tatiane constatou que a moradora no bairro Boqueirão não recebia ajuda do setor público de saúde para tratar de uma doença que deteriorava a perna esquerda. ‘‘Ela falava para nós que nem conseguia marcar uma consulta no posto de saúde’’, lembra.
Outro caso enfrentado pela estudante refere-se a falta de compreensão de pessoas que eram abordadas na rua para conhecer o projeto. Mesmo com cartazes e panfletos informativos sobre as intenções dos alunos do colégio Santo Agostinho, Tatiane recorda de um homem que a questionou se aqueles jovens não teriam nada mais interessante para estarem fazendo. Ao pedir alimentos numa residência, a própria estudante chegou a ser confundida com uma ladra e o morador que a atendeu quase chamou a polícia.
‘‘Essas coisas a gente nem liga. Só nos dá mais força para continuar participando’’, observa Tatiane. Mesmo com as adversidades, a estudante garante que a maioria esmagadora das pessoas se interessa pelo trabalho dos alunos. Os comerciantes do bairro Boqueirão, por exemplo, patrocinaram a confecção de panfletos explicativos e ajudaram com doações de alimentos. Para Tatiane, o que importa no projeto é o espírito solidário que existem em todos. ‘‘Temos que despertar a sensibilidade das pessoas que possam ajudar aqueles que precisam’’, ressalta. (D.V.)

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