Estudantes vão à Justiça para garantir vestibular
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de dezembro de 2001
Lino Ramos<bR>De Londrina 
Oito alunos do Colégio Sigma Vestibulares e o proprietário do cursinho, o vereador Carlos Bordin (PPB), protocolaram no final da tarde de ontem um mandado de segurança com pedido de liminar contra a suspensão do vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL), marcado inicialmente para 6 a 10 de janeiro. De acordo com Bordin, o pedido é para que a Justiça desconsidere decisão do Conselho Universitário da UEL, que durante reunião na quinta-feira suspendeu a realização do concurso.
Na avaliação do vereador, o vestibular só poderia ser suspenso pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da Universidade. ''Há um prejuízo direto não só para nosso cursinho, como de todos os 19 mil candidatos'', afirmou. Segundo ele, o número de inscritos não estaria englobando todos os candidatos que se inscreveram pela Internet. Na segunda-feira, ele promete propor nova ação indenizatória de perdas e danos contra a UEL e o governo do Estado.
Na avaliação de Bordin, o colégio banca professores e material didático para os alunos, enquanto o vestibular é suspenso. Os alunos do colégio também estariam sofrendo prejuízos, porque pagaram para fazer o vestibular em janeiro.
O promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galatti, quer ouvir logo no início da próxima semana o reitor da UEL, Pedro Gordan, e o diretor Clínico do Hospital Universitário (HU), Silvio Vilari Filho. Ele também requisitou a ata da reunião do Conselho Universitário, onde foi decidida a suspensão do vestibular e resolução comunicando oficialmente a suspensão do concurso.
Galatti instaurou um procedimento sobre o vestibular após receber um documento de formandos da universidade, preocupados com a greve. O promotor analisa a possibilidade da UEL sofrer prejuízo material diante de eventuais indenizações pela suspensão do vestibular. De acordo ele, pelas informações técnicas que lhe foram repassadas pelo ex-presidente da Comissão Permanente de Seleção (Copese), Luiz Carlos Bruschi, a UEL teria condições de realizar o vestibular. ''Preciso agora de informações políticas sobre o assunto'', afirmou.
Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), George Hiraiwa, ''os grevistas estão usando o vestibular, a colação dos formandos e as vidas dos pacientes do HU como moeda de troca''. Hiraiwa salientou que a entidade continua tentando intermediar as negociações, já que possui (juntamente com a Sociedade Rural do Paraná) uma cadeira no Conselho Universitário. O vice-presidente da Acil e representante da associação no Conselho Universitário, David Dequech Neto, admitiu que foi dele um dos cinco votos contrários ao adiamento do vestibular. Ele criticou o ''radicalismo de alguns'' e discordou do poder de decisão do Conselho Universitário, chamando-o de ''corporativista''.
O diretor do Colégio Universitário e presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Norte do Paraná (Sinepe-NPR), Alderi Luiz Ferraresi, classificou a decisão do Conselho Universitário como ''precipitada e irresponsável''. Os 19 mil inscritos no vestibular, para ele, estariam sendo usados como mecanismo de pressão.
Para Ferraresi, a segurança na realização das provas não seria afetada, pois a maior parte do trabalho não seria feito pela universidade. Ele comentou que não houve mudança no vestibular da Federal do Paraná, cujo período de greve foi maior, de 107 dias. (Colaborou Emerson Dias e Célia Guerra)


