Cerca de mil alunos das escolas estaduais de Londrina recepcionaram ontem o governador Jaime Lerner com vaias e frases como ‘‘Estudante na rua, Lerner a culpa é sua’’ e ‘‘Cadê o dinheiro da educação?’’. Organizado pelos grupos estudantis dos dois colégios estaduais e pela União Londrinense dos Estudantes Secundaristas (Ules), a manifestação também se posicionou contra a realização do ‘‘Provão’’ nas escolas estaduais profissionalizantes, que vem sendo anunciado pelo Governo. A vice-presidente do Grêmio Estudantil do Instituto de Educação Estadual de Londrina (IEEL), Sara Gonçalves, explicou que, apesar das propagandas veiculadas pelo Governo Estadual nos meios de comunicação, os investimentos não estão chegando às escolas.
Ela cita como exemplo o fato de nenhuma das escolas que assinaram convênio com o Programa de Extensão e Melhoria de Ensino Médio (Proem) terem recebido recursos. Os efeitos diretos, diz, são a falta de estrutura e recursos humanos nas escolas. ‘‘Antes de falar em qualquer tipo de avaliação, o Governo deveria dar condições às escolas para ensinar e aos alunos para aprender’’ afirma o primeiro vice-presidente da Ules, Ronaldo Domingues.
A Ules, esclarece Domingues, teme que as escolas onde os alunos não apresentarem bons resultados no ‘‘Provão’’ sofram ainda mais com a falta de investimentos. Alertam ainda sobre o interesses político e econômicos na privatização do ensino - citam projeto do deputado Eduardo Trevisan (PTB) de privatização das Universidades e Faculdades. ‘‘O Governo argumenta que o Provão vai mostrar a situação do ensino no Paraná. Mas não é preciso ser gênio, nem técnico para ver que a educação está péssima. Nem é difícil saber porque: não há prioridade para o setor.’’ Os alunos secundaristas ocuparam toda a parte superior do aeroporto e a rua em frente ao salão de embarque.
O secretário da Educação, Ramiro Wahrhaftig, classificou o protesto dos estudantes secundaristas como um ‘‘contra-senso’’. ‘‘Eles estão totalmente desinformados’’, disse. A avaliação que os alunos chamam de ‘‘ Provão’’, explicou, tem como único objetivo avaliar o desempenho do sistema através do aprendizado do aluno. ‘‘Os alunos não recebem notas individuais’’, frisa. Garante ainda que, ao contrário da preocupação dos estudantes, as escolas com avaliações baixas receberão mais atenção do governo a fim de melhorar a qualidade do ensino oferecido.
Quanto a denúncia da falta de recursos do Proem, o secretário orienta os alunos a protestarem contra os senadores Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (PSDB). Segundo ele o Programa está entre os três projetos - os outros dois são ‘‘Paraná 12 meses’’ e ‘‘Paraná San’’ - que estão ‘‘bloqueados’’ no Senado por interferência dos dois senadores. ‘‘Enquanto não for aprovado, não é possível liberar qualquer recurso relativo ao programa’’, enfatizou.
Entre os projetos do Proem estão o aumento de 200 mil vagas no ensino de segundo grau do Estado, até o ano 2.001 - atualmente são 350 mil. E uma série de investimentos na qualificação de professores, compra de equipemanetos e informatização das escolas.

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