Estudantes usam dicionário virtual
GÍRIAS
Estudantes usam dicionário virtual
Mauro FrassomConversas com alunos portugueses pela Internet sobre os 500 anos do Brasil
Rubens Burigo Neto
De Curitiba
Em Portugal e no Brasil um gajo (rapaz jovem) pode, ao mesmo tempo, ser tagarela (falar muito) e giro (legal). A descoberta é de um grupo de alunos da sétima série do Colégio Positivo Júnior, de Curitiba. Desde o início do ano os estudantes estavam usando a Internet para trocar informações sobre os 500 anos do descobrimento do Brasil com colegas portugueses.
Para facilitar a compreensão das palavras empregadas durante os bate-papos, os estudantes brasileiros decidiram organizar um dicionário virtual, com os diferentes significados e utilizações de gírias dos dois países. As expressões podem ser consultadas nos endereços www.ribatejo.com/forumbrasil/inicio.htm, da Escola Superior de Educação de Santarém (Portugal) e em [email protected]. São mais de 80 palavras, usadas pelos adolescentes. Muitas delas com os mesmo significado, como pifar (deixar de funcionar) e curtir (divertir-se).
A bibliotecária Rosilei Duarte, uma das responsáveis pela iniciativa, contou que o grupo preferiu fazer conversas mais informais com os estudantes portugueses porque as diferenças do ensino de história entre os dois países não permitiu que o debate sobre o descobrimento tivesse mais profundidade. Pelo menos os professores portugueses entenderam que o currículo deles precisa ter mais detalhes sobre a história do Brasil.
Menos preocupados com esta questão, os alunos que estão participando do projeto disseram que os colegas portugueses são mais fechados e formais. Eles se reúnem uma vez por semana, fora do horário das aulas, para ler e enviar as mensagens eletrônicas. Nos primeiros contatos eles pareciam ter medo de conversar, lembrou Betina Andrade, 14 anos. Ricardo Paul Kosop, 13 anos, um dos idealizadores do dicionário, destacou que no começo eles não entenderam algumas das poucas gírias que eles usavam. Com o dicionário ficou mais fácil, admitiu.
Acredito que no convívio pessoal eles devem usar mais gírias, contou Lucas Galdino, 13 anos. O garoto disse que para não pensarem que a gente é burro, também diminuiu nas mensagens eletrônicas a quantidade de expressões empregadas em conversas informais. Entre os assuntos preferidos na troca de e-mails estão os esportes, a moda e também coisas mais sérias, como a violência. Fiquei surpreso ao saber de um menino de Lisboa que o irmão dele já foi assaltado sete vezes, disse Ricardo Kosop.





