Estudantes temem drogas e desemprego
Estudantes
temem drogas
e desemprego
A cidade de Curitiba está ficando violenta, como as grandes cidades do Brasil, mas está longe de São Paulo, afirmou a estudante Andrea Marçal Sztak, 17 anos. Para a estudante, que estuda em um colégio particular, o desemprego, a vinda de pessoas de fora e falta de educação são fatores que motivam a violência. A piazada que vive na rua e que usa drogas está roubando, complementou o estudante Emerson Carlos, 21 anos, de família de classe média.
Os depoimentos dos dois jovens descrevem alguns dos pontos levantados na pesquisa. Na amostragem, o desemprego seria o fator que mais gera a violência na cidade (75,7%). Na avaliação dos estudantes, outros componentes que motivariam atos violentos seriam a desigualdade social (73,4%), falta de cultura e educação e, por último, viriam os migrantes que chegam na cidade (27,3%).
Os jovens entendem que a violência estaria estabelecida em todos os pontos da cidade. No entanto, os seus focos estariam colocados em locais específicos. Em uma escala de zero a dez, eles estabeleceram que ficariam nos bairros pobres a maior concentração. Depois, os atos violentos aconteceriam nos shows, danceterias, bailões, bairros ricos, parques e praças. (Ver tabela)
A gente se sente inseguro em qualquer parte da cidade, resumiu a estudante Maira Veloso, 17 anos. Vinda de São Paulo, ela sente que a cidade começa a vivenciar mais casos de agressões, furtos e roubos. Muitos dos assaltos são motivados por pessoas pobres, afirmou Milton Luís dos Santos, estudante de classe média, 17 anos.
Mas o componente de violência física não é o único que atinge os jovens. A gente tem medo da polícia, que às vezes ultrapassa limites, reclamou o estudante Luiz R., estudante de escola pública da periferia, que preferiu não dar todo o seu nome. Sou negro e a polícia trata a gente de maneira agressiva, reclamou.
Ele contou que já foi detido quando corria para ir pegar o ônibus para estudar. A gente não pode ser tratado dessa maneira, questionou. Uma das formas de se proteger é andar em grupos. Os grupos são formas de evitar excessos, admitiu o estudante e orientador sexual do Grupo Dignidade, Adilson Trojano, 20 anos. O jovem tem outro componente contrário: é homossexual assumido. Pela pesquisa, quase 10% dos jovens não entendem como problema agredir homossexuais, negros e prostitutas. Também 20% não enxergam como errado segregar brancos de negros ou ricos de pobres.





