Pais e mães de alunos do Colégio de Aplicação tinham uma reunião marcada ontem à noite na quadra da escola para discutir o novo sistema de georrefereciamento imposto pela Secretaria Estadual de Educação, que prevê a mudança dos estudantes para colégios próximos ao local de moradia das famílias.
A mobilização partiu de um grupo de mães que tentou realizar a rematrícula dos filhos, mas foi impedido pelo Núcleo Regional de Educação (NRE). ''Nos disseram para esperar uma carta que vem de Curitiba até o final do mês'', contou Deise Paiva Soares, mãe de Henrique de Paula Soares, 13 anos. Ele cursa a oitava série do ensino fundamental no Colégio de Aplicação e é um dos milhares de alunos que deverão mudar de escola no próximo ano.
''Há quatro anos ele passou num teste seletivo para assegurar a vaga neste colégio e não é justo ter de mudar de escola agora'', disse Deise.
Mesmo morando longe - a família vive no Conjunto Parigot de Souza (Zona Norte) e o colégio fica no Centro da cidade - Henrique não tem dificuldade em ir para a escola, garante Deise. ''Ele pega só um ônibus a três quarteirões de casa e desce a um quarteirão do colégio'', declarou a mãe, que em parceria com as demais mães do Aplicação contratou um advogado para entrar com uma ação judicial contra o Núcleo ''caso seja preciso''.
''Apesar do Estado garantir que todos os colégios são equivalentes, a gente sabe que isso não acontece na prática. As escolas não têm o mesmo padrão de ensino, de limpeza, nem de amizades'', completou Deise.
Maria Aparecida Jachstet concorda. Ela é mãe do estudante Carlos Henrique Jachstet, 14, que também passou no teste seletivo para entrar no Colégio de Aplicação, onde estuda há quatro anos.
''As mães só ficam sabendo que seus filhos vão mudar de escola quando vão fazer a rematrícula, mas não podemos sentar e esperar. Temos que lutar agora pelos nossos direitos'', sugeriu Maria Aparecida, ressaltando que a direção do colégio já protocolou um pedido junto ao Núcleo, requerendo a permanência dos alunos.
''O pedido foi feito em agosto e até agora não houve resposta'', complementou Deise Soares. Segundo ela, a direção do Colégio Estadual Newton Guimarães também já reclamou judicialmente com o NRE, mas obteve resposta negativa.
O professor Marcos Santana, ouvidor do Núcleo, explicou que o georreferenciamento está previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e deve incluir alunos da quinta série do ensino fundamental e primeira série do ensino médio.
''Os alunos receberão uma carta-matrícula até o próximo dia 27 de novembro, na qual constará o nome do colégio para onde eles serão transferido''. De acordo com Santana, o sistema tem sido estudado há tempos pelo governo estadual, mas só agora será colocado em prática.
''No início do ano, foi pedido aos alunos que levassem uma conta de luz para a escola para que fosse cadastrado o endereço do estudante e a distância exata da casa à escola'', completou.
Com a carta-matrícula, informou o ouvidor, o aluno tem vaga garantida na nova escola. Para efetuar a matrícula, basta apresentar a carta na secretaria do novo colégio e os documentos de praxe, como declaração de aprovação e histórico escolar. ''Como o sistema é informatizado, todos os dados do aluno serão repassados da escola antiga para a nova'', assinalou.

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