Estudantes sequestrados são libertados
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domingo, 06 de julho de 2003
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Terminou no início da noite de sábado, em Londrina, o sequestro de dois estudantes de direito. Thiago Garcia Fonseca e Celso Garla Filho, ambos de 18 anos, foram soltos próximo à Universidade Estadual de Londrina (UEL), na zona sul da cidade, após passarem cinco dias em cativeiro, que ainda não foi localizado pela polícia, assim como os sequestradores. A pedido da polícia, a imprensa não divulgou o caso até que os reféns fossem libertados.
Para ajudar nas investigações, o grupo especial Tigre, de Curitiba, veio para Londrina e o delegado chefe da instituição, Riat Farhat, afirmou ontem que eles vão continuar na cidade até que o caso seja solucionado. Durante a semana, a polícia fez blitze na periferia a procura do cativeiro. Ele lembrou que há pelo menos 10 anos não havia um sequestro na região de Londrina e que este é o primeiro caso registrado este ano em todo o Paraná, sem levar em conta os sequestros-relâmpago.
Segundo informações do delegado operacional da 10 Subdivisão Policial, Sérgio Luiz Barroso, na manhã de terça-feira, Thiago Fonseca pegou o amigo Celso Garla Filho em sua casa e os dois seguiram para a Universidade Norte do Paraná (Unopar), próximo ao Shopping Catuaí, onde estudam. Perto das 8 horas, eles teriam sido abordados por dois homens, já no estacionamento, e levados para uma mata próxima ao Centro de Eventos, também na zona sul, onde permaneceram até o anoitecer. Só então os sequestradores levaram os estudantes para o cativeiro.
O carro de Fonseca, um Corsa, foi encontrado pela polícia no mesmo dia do sequestro, abandonado próximo à reitoria da UEL. O veículo foi levado para o Instituto de Criminalística para perícia, mas segundo Farhat, o material colhido no carro não foi suficiente para a identificação dos criminosos.
Barroso informou que durante os cinco dias de sequestro só foi feito um contato com a família, através do telefone celular de Garla Filho, na terça-feira, próximo às 17 horas. No telefonema, o sequestrador teria pedido um resgate de R$ 500 mil. De acordo com Farhat, os estudantes disseram que não foram agredidos e que se alimentaram bem. ''Mas teve momentos mais críticos no cativeiro em que houve violência psicológica com os sequestradores mostrando as armas e dizendo que se o resgate não fosse pago eles morreriam'', afirmou Farhat.
A polícia ainda não sabe se os sequestradores chegaram a sair da cidade. Farhat apontou que os estudantes informaram que demoraram entre 45 minutos e uma hora até chegar no cativeiro. ''Eles podem ter saído da cidade como rodado dentro de Londrina para confundir os dois'', salientou Farhat. Ele também não soube precisar o motivo pelo qual os sequestradores teriam libertado os reféns, mas garantiu que o resgate não foi pago. ''A gente imagina que eles (os sequestradores) tenham se sentido acuados e que não tivessem estrutura para sustentar o sequestro'', supôs Farhat.
Ele acrescentou que Garla Filho e Fonseca estavam voltando a pé, sábado à noite, para casa, após terem sido libertados, quando um amigo do pai de Fonseca teria reconhecido o estudante e levado os dois para casa. A reportagem da Folha esteve na casa dos estudantes na tarde de ontem. Na residência de Garla Filho, o porteiro informou que não havia ninguém no apartamento. Ele contou que durante o sequestro foi grande a movimentação de parentes e amigos no local. No prédio de Fonseca a reportagem conseguiu contato com o estudante por interfone mas ele disse que não queria falar com a imprensa.
Um dos últimos sequestros ocorridos em Londrina foi o de uma empresária, ocorrido em 9 de maio de 1992. Então com 26 anos, ela ficou em cativeiro durante nove dias, num sítio próximo ao município de Cândido de Abreu (191 km ao sul de Apucarana). Os pais da moça tinham uma empresa de transportes. Quatro sequestradores foram presos pela polícia.


