A gravidez indesejada, principalmente entre adolescentes, e o uso de drogas também na mesma faixa etária, foram discutidos ontem, na abertura da Semana de Saúde Mental, promovida pela Secretaria de Saúde de Maringá. Estudantes de colégios estaduais, com idades entre 13 a 16 anos, participaram do evento que segue até sexta-feira com a apresentação de palestras sobre outros temas, inclusive o alcoolismo.
De acordo com a psicóloga Ana Lúcia Rodrigues, apesar do acesso fácil à informação, cresce no Brasil e no mundo o número de adolescentes grávidas. De acordo com dados levantados em pesquisas realizadas com adolescentes, nos últimos anos tem-se verificado aumento de fertilidade da mulher na fase da adolescência. Ana Lúcia diz, entretanto, que na maioria dos casos os adolescentes iniciam a vida sexual sem a mínima noção de prevenção, sendo mais suscetíveis à gravidez indesejadas.
Uma das consequências mais grave da gravidez indesejada é a prática do aborto. No Brasil estima-se que sejam realizadas 1 milhão de abortos todos os anos. Metade desta população fazem o aborto em clínicas clandestinas ou provocam o fim da gestação com medicamentos e chás.
‘‘De cada quatro abortos realizados no país, um envolve adolescente’’, assegura Ana Lúcia. Outros problemas, como o aumento de doenças sexualmente transmissíveis e da Aids, também são, conforme Ana Lúcia, causados pela falta de informação dos jovens e adolescentes sobre sexo.
Outro tema polêmico que chamou a atenção dos estudantes, foi o uso de drogas. Conforme as psicólogas Elenice Galacini e Sandra Gomes, assim como na iniciação sexual, o uso de drogas faz parte cada vez mais, da vida de adolescentes com menor idade. Há dois ou três anos, os adolescentes começavam a usar drogas com 15 ou 16 anos.
‘‘Hoje temos crianças com oito anos e pré-adolescentes com 12 anos, que já estão cheirando cola e consumindo outros tipos de droga’’, diz Elenice. Segundo ela, tanto o alcoolismo como as drogas provocam alterações de personalidade dos usuários, trazendo danos à saúde das pessoas. ‘‘A segunda causa de morte no País e no mundo é o suicídio, que está muito vinculado às drogas’’, ressaltou. As palestras estão sendo realizadas no auditório Hélio Moreira.
Os organizadores da Semana de Saúde Mental também estão desenvolvendo com os professores da rede pública um trabalho de conscientização. A idéia é envolver professores e pais de alunos nas atividades que visam a prevenção do uso de drogas e a educação sobre sexo.Marcos NegriniPalestras seguem até sexta-feira no auditório Hélio MoreiraLucinéia Parra

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