''A maioria da população do campo já nem sabe mais usar as plantas com finalidade terapêutica. O jeito é investir nos mais jovens para retomar esse processo.'' O desabafo foi feito ontem de manhã pelo fitoterapeuta Norton Rezende Araújo, de 41 anos, em atividade comandada com alunos de 6 série do Colégio Universitário, no Jardim Maringá (Zona Oeste de Londrina).
Inicialmente, o grupo participou de uma palestra com o fitoterapeuta e tirou dúvidas sobre alguns tipos de plantas medicinais. Tarefa assimilada e discutida na teoria, foi a vez de eles saírem ao pátio da escola para corroborá-la na prática, com a plantação de pequenas mudas. A atividade faz parte da Semana Municipal do Meio Ambiente,
O caráter da iniciativa, segundo o palestrante, vai bem além da formalidade didático-pedagógica. ''Temos que despertar nos nossos adolescentes o senso crítico para a defesa desses tipos de plantas. Além disso, é a oportunidade para muitos descobrirem se têm vocação para as áreas agronômica ou homeopática'', destacou Araújo, que há três fundou uma organização não-governamental (ONG) para o estudo de pelo menos 800 espécies vegetais.
Para a aluna Maria Gabriela Sanches, de 12 anos, a aula diferente foi mais informativa do que imaginava ainda mais que, confessou, só tinha ouvido falar até então de erva-doce e boldo. ''Minha mãe sempre faz chás desse dois em casa. É melhor que remédio, pois é natural'', contou.
Com uma muda de cactus em mãos, Rafael Reis, 12, disse que, a partir de agora, é ''fã de arnica''. A justificativa para tanta afeição logo é desbaratada: ''Eu me ralo demais quando brinco e quando brigo. Hoje, aprendi que a arnica é ótima para aliviar machucados'', relatou, esfregando as mãos.
Indiferente até ontem à existência do poejo, Gustavo Galindo, 11, definiu como ''fantásticas'' as propriedades da planta. Na hora de se proteger das gripes e resfriados, porém, ele prefere manter o tratamento comumente usado pela mãe e pela avó. ''Nada como um chá de erva-cidreira nessas horas'', recomendou.
Exceção no meio dos colegas, a estudante Mariana Dias, 11, enumerou uma série de ervas e plantas utilizadas em casa desde criança. O ''culpado'', admitiu, é o avô, avesso aos medicamentos convencionais. ''Lá em casa é tudo na base do guaco, do pau-tenente, da erva-doce e da arnica, que me salvou quando me machuquei na praia esses tempos'', comentou. Se isso pode despertar algo mais para o futuro? Ela acha que sim. ''Queria ser arquiteta ou pediatra, mas agora creio que vai ser mais fácil decidir.''

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