Londrina – Acadêmicos ligados ao ‘‘Movimento Estudantil da Universidade Estadual de Londrina’’ (UEL) estiveram ontem pela manhã no Calçadão, centro da cidade, coletando assinaturas para um abaixo-assinado contra o projeto de autonomia apresentado pelo governador Jaime Lerner.
Eles distribuíram um panfleto onde apontam que o projeto ‘‘ameaça a manutenção do caráter público das universidades’’. ‘‘Alguns setores querem o projeto, mas defendemos os interesses dos alunos, que são contra’’, afirmou o estudante de Odontologia, Daniel Augusto Gazin. Eles pretendem recolher mais assinaturas durante toda esta semana e estarão em Curitiba quando o projeto for discutido no plenário da Assembléia Legislativa (AL).
O projeto de autonomia administrativa e financeira das universidades estaduais paranaenses só irá para votação na AL ‘‘depois de passar por ampla discussão com setores de comunidade’’, informou anteontem o deputado estadual Durval Amaral (PFL). De acordo com o parlamentar, ‘‘a autonomia tem de espelhar o pensamento médio da sociedade, porque ela é a responsavel pela manutenção das instituições de ensino superior (IES)’’. Amaral afirmou ainda que a retirada do pedido de apreciação do projeto em regime de urgência foi motivado pelo acordo entre o governo e o comando de greve das IES, que prevê o fim do movimento na segunda-feira.
De acordo com Amaral, que é lider do governo na AL, tão logo seja declarado o final da greve, que já dura mais de cinco meses, o Estado irá autorizar a liberação do dinheiro do pagamento do salário de fevereiro. ‘‘Então, se a greve terminar até o início da tarde de segunda, a folha pode ser rodada à noite e o pagamento liberado em seguida’’, diz o deputado.
Durval Amaral garante que foi procurado pelo comando de greve na última segunda-feira para intermediar proposta junto ao governo para pôr fim ao impasse que gerou a paralisação. ‘‘Ficou acertado no encontro que, para evitar especulações, não divulgaríamos o encontro e nem o que conversamos’’, revelou o parlamentar. Ainda segundo ele, na proposta inicial, os grevistas pediam a inclusão de R$ 90 milhões sobre o orçamento deste ano, proposta que ficou fora de cogitação. Amaral, porém, diz que conversou com os secretários da Casa Civil e da Fazenda do governo do Estado para saber o quanto foi gasto com o pessoal em 2001 e o que poderia ser acrescido sobre o valor. Então, teria havido consenso em torno dos R$ 35 milhões, que irá incidir na tabela de salário base dos professores e servidores técnico-administrativos das universidades.
‘‘A questão salarial, com isso, está resolvida’’, comenta, ao acrescentar que ‘‘a partir de agora, a questão principal passa a ser a autonomia administrativa, financeira e política das universidades paranaenses’’, que deve ser levada a toda a comunidade paranaense. ‘‘O projeto, em si, é bom. Mas tem de ser discutido pela sociedade’’. Esse processo deve demorar pelo menos seis meses, segundo ele. (Colaborou, Luciano Augusto)

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