Estudantes reclamam do fechamento do RU para obras
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quarta-feira, 05 de agosto de 2015
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Fechado desde dezembro por conta das obras de ampliação, o Restaurante Universitário da Universidade Estadual de Londrina (UEL) deve ficar sem servir refeições pelo menos até o final de setembro. A previsão inicial era que o atendimento fosse retomado em janeiro, mas atrasos no trabalho deixaram a comunidade universitária sem a principal opção para fazer as refeições de uma forma mais barata por muito mais tempo do que o projetado inicialmente.
Inaugurado em 30 de abril de 1998, o RU tem capacidade para servir 4,5 mil refeições por dia, sendo 3 mil no almoço e 1,5 mil no jantar. A reforma vai aumentar a capacidade de 400 para 700 lugares e reduzir o tempo de espera. A quantidade de refeições que serão servidas não foi informada pela instituição. Enquanto o trabalho não é concluído, estudantes, professores e demais servidores são obrigados a procurar alternativas para se alimentar.
Muitos optam por realizar as refeições nas cantinas do campus. Maria Luiza Góes, de 18 anos, que está no segundo ano de Biomedicina, diz que a mudança pesa no bolso. Ela ressalta que a refeição no RU é "mais barata e completa" e que agora, na cantina, mesmo gastando R$ 15, não se consegue um prato com tanta qualidade. A refeição do RU custava R$ 2,70 antes do fechamento.
Ana Luiza Faria, de 20 anos, do segundo ano de Biologia, também critica os valores das refeições nas cantinas do campus. Ela frequentava o RU diariamente e diz que há poucas opções para quem passa o dia no campus. "Como o meu curso é integral, não dá tempo de voltar para casa e preciso comer aqui", reclamou.
Outra aluna de curso integral é Érica Romão Pereira, de 19 anos, que faz Biomedicina e agora leva refeição de casa. "Para mim faz muita diferença. Isso sobrecarrega a minha mãe, que deixa tudo preparado na noite anterior. E não é qualquer alimento que dá para trazer na marmita, porque estraga", expôs.
Para quem vem de outra cidade, o problema é ainda mais grave. O estudante de pós-graduação em genética Natanael Bonfim, de 22 anos, diz que as despesas com alimentação em Londrina são grandes. "Sou de Porto Velho (RO) e já tenho despesas com o aluguel. Ao chegar aqui percebi que o custo de vida aqui em Londrina é de mediano para alto. Com o RU fechado eu preciso comprar as minhas refeições em restaurantes fora da UEL, porque aqui dentro é bem caro", apontou.
O estudante do terceiro ano de Engenharia Elétrica, Gustavo Henrique Rodrigues, de 20 anos, era frequentador assíduo do RU: a semana inteira, duas vezes ao dia. "Ao longo da semana fazia 10 refeições e pagava R$ 2,70 por cada uma. Hoje em dia gasto quase R$ 20 por refeição, mas tive de cortar uma das refeições que fazia diariamente por causa do valor", relatou.
O RU é uma das divisões do Serviço de Bem Estar da Comunidade (Sebec). A diretora Betty Finatti explica que, depois da conclusão da obra, a instalação de equipamentos e o treinamento de funcionários deverão levar ao menos mais 30 dias. "Iremos reabrir o RU quando os funcionários estiverem contratados, tudo estiver instalado e os servidores receberem o treinamento", apontou, sem especificar datas. O restaurante conta com cerca de 50 servidores, mas o número de novos contratados não foi confirmado pela UEL.
O engenheiro Juliano Pelayo Strini, diretor da MAS Engenharia e Empreendimentos, de Londrina, responsável pela obra, diz que 95% dos trabalhos estão concluídos. "A expectativa é de que a entrega da parte civil seja feita entre 20 e 30 de setembro. Nesta semana, os bombeiros devem devolver o projeto com as adequações sugeridas por eles e precisamos colocar em prática o que for pedido", explicou.
O prefeito do campus, Dary de Oliveira Toginho Filho, explicou que o adiamento de janeiro para setembro aconteceu porque a obra precisou de readequações. "Em algumas situações são necessárias correções no meio do curso. A estrutura da cozinha foi projetada para aproveitar alguns dos equipamentos antigos, mas eles estavam tão desgastados que foi necessário realizar a compra de modelos novos. Fizemos a licitação, mas as medidas dos novos equipamentos só foram definidas quando foi determinado o vencedor da licitação", apontou.


