Luciana Pombo
De Curitiba
Os coordenadores do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) denunciaram ontem que os universitários que estão fazendo mobilizações para a manutenção dos preços dos Restaurantes Universitários em R$ 0,80 estão sofrendo perseguição política dentro da UFPR. Segundo o coordenador geral do DCE, Jeferson Choma, os líderes dos protestos estão sendo fotografados, filmados e os nomes estão sendo anotados por funcionários da universidade. ‘‘Estamos sendo ameaçados de sofrermos processos administrativos’’, disse ele. ‘‘É uma pressão psicológica que visa impedir que as manifestações continuem’’, alegou Melissa Bello, diretora do DCE.
Os protestos dos estudantes começaram na última quinta-feira, quando os Restaurantes Universitários foram reabertos com os valores das refeições reajustados em 62,5%. Os alunos fizeram uma caixa de papelão e depositaram os R$ 0,80 pagos antes do reajuste. Todos comeram normalmente. Apenas os funcionários da UFPR pagaram os R$ 1,30 definidos pela reitoria.
Segundo Choma, as novas tarifas foram definidas pelo Conselho de Planejamento e Administração da UFPR durante o período de férias e sem uma consulta prévia aos estudantes. ‘‘Não podemos admitir que as regras da ditadura sejam usadas contra os estudantes’’, afirmou ele. De acordo com ele, 70% do movimento nos três Restaurantes Universitários da UFPR é de estudantes que moram em casas universitárias e têm dificuldades econômicas para se manter em Curitiba. ‘‘Estes alunos precisam de preços de refeições subsidiadas, ou terão que voltar para suas cidades e deixar os estudos’’, garantiu.
Entre as principais reivindicações dos estudantes estão a manutenção do preço de R$ 0,80 por refeição, abertura das contas do RU e prioridade para o subsídio das refeições. ‘‘Não estamos fechados para o diálogo. Queremos conversar, mas temos que ter os valores gastos em mãos para discutirmos um novo preço para as refeições’’, disse Melissa.
Mesmo com as pressões sofridas, os estudantes garantem que não deixaram de fazer as mobilizações durante as refeições dos universitários. O coordenador de assuntos comunitários e estudantis da UFPR, Carlos Alberto Pires, disse ontem que as manifestações estão sendo lideradas por cinco alunos que estão na Universidade há dez anos. ‘‘São os alunos profissionais e que estão querendo tumultuar o processo democrático de reajuste’’, afirmou ele. Carlos Pires disse ainda que os alunos estão sendo fotografados porque estão depredando o patrimônio público. ‘‘Eles quebraram portas e estão depredando o patrimônio público. Vamos abrir uma sindicância para responsabilizar estes alunos’’, garantiu.
Pires disse ainda que o reajuste das refeições já vinha sendo discutido com os estudantes há seis meses. ‘‘Não tínhamos como continuar praticando os baixos preços das refeições’’, afirmou. De acordo com ele, desde 1995 não há reajuste no valor do restaurante e as verbas federais com custeio foram cortadas em 20%. Mesmo com o reajuste - segundo ele - o valor da refeição no RU da UFPR vai continuar sendo um dos mais baixos do País. Atualmente, os valores das refeições universitárias variam entre R$ 1,50 e R$ 3,50. Anualmente, a UFPR gasta cerca de R$ 600 mil para subsidiar as refeições dos estudantes. Nos três restaurantes da UFPR são servidas, diariamente, 3 mil refeições.

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